Síndrome Períodicas Associadas à Criopirinas (CAPS) – “Criopirinopatias”

CAPS-01Doenças autoinflamatória, consideradas raras e hereditárias, caracterizada por episódios recorrentes de inflamação sistêmicas, manifestando-se com febres e muitas vezes com inflamação de tecidos, como articulações, intestinos, rins, olhos e sistema nervoso. Com manifestações clínicas semelhantes a infecções ou sintomas de outras doenças reumatológicas.

A febre recorrente é a manifestação clínica mais prevalente, sendo acompanhada de outros sinais e sintomas inflamatórios, especialmente cutâneos, oculares, osteoarticulares, musculares, gastrintestinais, neurológicos e de serosas. A febre pode recorrer em intervalos precisos ou irregulares, ou mesmo, raramente, ser contínua.

A Síndrome Periódica Associada à Criopirina (CAPS), acontece através de uma mutação genética do Gene Cold Induced Autoinflammatory Syndrome 1- CIAS1 (que modifica a proteína chamada Criopirina), dando origem a três tipos de doença, sendo elas:

  • Síndrome Antinflamatória Famíliar ao frio (FCAS);
  • Síndrome de Muckle-Wells (MWS)
  • Doença Inflamatória Mutissistêmica de Início Neonatal (NOMID) ou Síndrome Neurológica, cutânea e articular crônica infantil (CINCA).

CAPS é uma doença genética de herança autossômica dominante, ou seja, um dos pais afetados pela doença, tem 50% de chance de ter um filho afetado pela doença, em especial para os casos de CINCA.

Os três tipos de Síndromes Associadas à Criopirinas – (FCAS – MWS e CINCA), apresentam manifestações clinicas que variam de formas leves, como como a FCAS, até formas gravíssimas, como a CINCA.

Uma manifestação comum às três é que pode ser identificada precocemente pelo pediatra, são as erupções cutâneas pruriginosas, que se apresentam desde o período neonatal. Na Síndrome Antinflamatória Famíliar ao frio (FCAS), o quadro cutâneo surge após exposição generalizada do corpo ao frio, como a temperaturas mais amenas ou a ambientes com ar refrigerado. Na Síndrome de Muckle-Wells (MWS) e na Síndrome Neurológica, cutânea e articular crônica infantil (CINCA), as lesões podem estar presentes em todos os dias da vida, com intensidade variável. A febre é uma manifestação comum, mas pode faltar em 1/3 das CAPS. As manifestações mais graves ocorrem na síndrome de Muckle-Wells e na síndrome CINCA e são: surdez neuro-sensorial, amiloidose, artropatia deformante e meningite crônica asséptica.

O diagnóstico precoce e a possibilidade atual de introdução de medicamentos biológicos IL-1 (Interleucina-1), melhora o prognóstico e modificam a qualidade de vida das pessoas acometidas pela CAPS.

Diagnóstico da Síndrome Periódica Associada à Criopirina (CAPS)

O diagnóstico da CAPS e suas síndromes é baseado em achados clínicos e laboratoriais, os exames laboratoriais muitas vezes são inespecíficos, dependendo de uma extensa pesquisa e realização de exames genéticos nem sempre disponíveis em todas as cidades.

A investigação é baseada na realização de exames genéticos, proteínas séricas, amiloide-A, proteína C-reativa, VHS, provas de função renal, ressonância magnética para os casos de comprometimento neurológico, porém, não existe uma lista de exames, por ser a CAPS uma síndrome com um conjunto de três tipos de doenças, os exames, variam conforme a manifestação clínica.

Genes pesquisados no diagnóstico de CAPS: Criopirinopatias  Nalp3 – Cias – NLRP12.

O mais importante no diagnóstico é a percepção do pediatra clínico, em reconhecer as principais manifestações clínicas das Síndromes Periódicas Associadas à Criopirinas (CAPS), e realizar o encaminhamento para um reumatologista pediátrico ou para um centro especializado em doenças autoinflamatórias, como é o caso do Ambulatório de Doenças Autoinflamatórias da UNIFESP, em Sâo Paulo.

O tratamento das Síndromes Periódicas Associadas à Criopirinas (CAPS) tem por objetivo:

  • Determinar o risco e classificar o tipo de doença (busca genética);
  • Prevenir a Amiloidose (uma das maiores complicações dessa doença);
  • Estabelecer o Aconselhamento Genético
  • Determinar a melhor terapêutica específica para cada tipo de doença, mantendo à vida e recuperando a qualidade de vida, com o advento dos medicamentos biológicos IL-1 (Interleucina-1), isso tem sido possível.

Os tratamentos de CAPS tem avançado nos últimos anos, as terapêuticas disponíveis tem se tornado cada vez mais específicas atuando no alvo da atividade autoinflamatória, com os medicamentos biológicos IL-1 (Interleucina-1, principal citocina envolvida nos sintomas inflamatórios sistêmicos desses pacientes, porém, apesar de alguns desses medicamentos comprovarem sua eficácia e segurança através de estudos clínicos e estarem sendo utilizados em vários pacientes, estes medicamentos não estão sendo fornecidos pelo SUS e Planos de Saúde, o que tem dificultado o acesso ao tratamento dos poucos brasileiros acometidos por essas doenças.

Saiba mais sobre os principais tratamentos de CAPS:

Antiinflamatórios não-esteroides (AINES) – Glicocorticoides – Imunossupressores – Antihistamínicos

Medicamentos biológicos IL-1 (Interleucina-1) – usados nas Síndromes Periódicas Associadas à Criopirinas (CAPS)

Anakinra: antagonistas de IL. Medicamento Biológico, realizado através de injeções diárias – não aprovado no Brasil.

Rilonacepte: neutraliza o IL-1 antes da sua ligação aos receptores celulares que induzem o processo inflamatório. O rinolacepte bloqueia a IL-1, não sendo específico para o bloqueio da IL-1β. Medicamento biológico, administrado através de injeção semanal, não tem registro na ANVISA e não está disponível no Brasil.

Canaquinumabe: anticorpo monoclonal anti-IL-1β humana, que se liga a IL-1β, neutralizando a sua interação com seu receptor. Medicamento biológico, administrado através de aplicações endovenosa a cada 8 semanas, está disponível no Brasil e vem sendo utilizado no tratamento das Síndromes Associadas às Criopirinas (CAPS), através de processo judicial contra o SUS ou plano de saúde.

Saiba mais sobre os fenótipos da CAPS.

Síndrome Autoinflamatória Familiar ao Frio (FCAS)

FCAS – Acomete pessoas de qualquer idade, tem picos de febre inferior a 24 horas, associados à urticária, calafrios, artralgia (dor articular), artrite, desencadeados pelo frio.

Febre: inicia 30 minutos a 6 horas após a exposição ao frio, tem duração média de 12 horas

Ocorrência de Amiloidose (nefropatia)

Tratamento: procurar morar em locais de clima quente. Utiliza-se corticoide, colchicina, medicamentos antiinflamatórios não esteróides e medicamentos biológicos IL-1 (Interleucina-1) – (disponível no Brasil o Canaquinumab).

Síndrome de Muckle-Wells (MWS)

MWS – manifesta-se na infância, através de episódios recorrentes de febres baixas (38°) com resolução espontânea (febre que passa sozinha entre 12 e 36 horas), febre vem associada à urticárias, artrite, mialgias (dor articular), úlceras aftosas, conjuntivites. Esses episódios não estão associados ao frio. Com complicação a Síndrome de Muckle-Wells (MWS) traz a perda auditiva neurossensorial e amiloidose (nefropatia).

Doença Inflamatória Mutissistêmica de Início Neonatal (NOMID) ou Síndrome Neurológica, cutânea e articular crônica infantil (CINCA)

CINCA é o fenótico das Síndromes Períodicas Associadas à Criopirinas (CAPS) mais grave e raro, acomete bebês no período neonatal ou crianças na primeira infância, manifestando-se por febre e exantema urticariforme persistente (ao nascimento com 75% dos casos), os sinais e sintomas da CINCA são:

Facies típicas , proeminência fronta, nariz em sela e hipoplasia facial;

CINCA
Facies típicas (CINCA)

Deformidade dos joelhos, tornozelos, pulsos e cotovelos (50% dos casos)

Meningite asséptica crônica, perda progressiva da audição, dores da crônica, retardo mental, epilepsia;

Uveíte anterior, palpite e atrofia do nervo óptico.

Tratamento da CINCA: tem baixa resposta ao corticoide e antiinflamatórios. Boa resposta aos medicamentos biológicos IL-1 (Interleucina-1).

No Brasil, estima-se que 36 pessoas tenham o diagnóstico de CAPS, que é considerada uma doença órfã, por isso, resolvemos através deste blog, compartilhar informações e unir essas famílias através de informações, promovendo o acolhimento e diminuição das dificuldades diárias.

Se você convive com CAPS e deseja, compartilhar sua história preencha nosso formulário online disponível neste link http://goo.gl/forms/QZz4tPQJBz – assim que receberemos sua história entraremos em contato.

Se você está encontra-se em fase investigatória para alguma doença autoinflamatória ou para CAPS e seus fenótipos e necessita de informações e orientações, estamos à disposição através do e-mail: priscila.torres@encontrar.org.br 

Jornalista
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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Jornalista Grupar EncontrAR
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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