Segurança do uso de terapias biológicas para artrite reumatoide e espondiloartrites

Encontrei um artigo excelente para compartilhar informações sobre segurança do uso de medicamentos biológicos e como o artigo é longo, vou compartilhando aos poucos para que você possa ler e ir absorvendo as informações aos poucos.

O tratamento das doenças reumáticas autoimunes sofreu uma progressiva melhora ao longo da última metade do século passado, e foi expandida com a contribuição das terapias biológicas ou imunobiológicos. Todo esse processo tem implicado na melhoria dos resultados terapêuticos e da qualidade de vida, bem como na redução na morbimortalidade dos pacientes.

Os anticorpos monoclonais e moléculas recombinantes capazes de interferir na sinalização dos processos celulares se multiplicam em ritmo acentuado e novas possibilidades terapêuticas serão progressivamente acrescentadas. No entanto, como ocorre com qualquer classe de fármacos, há que se atentar para as possibilidades de efeitos indesejáveis advindos dos medicamentos imunobiológicos; aspecto que ganha dimensão ainda maior, dada a intensa ação dessas moléculas sobre diversos processos imunológicos de importância fundamental.

Sobre a utilização dos agentes imunobiológicos empregados na Reumatologia, a aplicação dessa premissa pode auxiliar na escolha da melhor opção para cada paciente. Com o advento de novas terapias, os principais questionamentos de pacientes e médicos são sobre os benefícios e os custos, mas também sobre a segurança dessas medicações. Assim, além de considerar o mecanismo de ação e as peculiaridades farmacológicas de cada um dos agentes, incluindo a posologia, a meia-vida (plasmática e biológica) e a via de administração, bem como a opinião, a adesão e o grau de compreensão do paciente, o reumatologista precisa ponderar os principais eventos adversos para cada cenário em particular.

Informações que merecem destaque sobre a segurança do uso de drogas biológicas na Reumatologia: ocorrência de infecções (bacterianas, virais, tuberculose), reações infusionais, reações hematológicas, neurológicas, gastrointestinais, cardiovasculares, ocorrências neoplásicas (neoplasias sólidas e da linhagem hematológica), imunogenicidade, outras ocorrências e reposta vacinal, segurança do uso de biológicos na gravidez e na lactação.

Vamos começar pelos antagonistas do fator de necrose tumoral (anti-TNF), mas primeiro acho importante conhecer quem essa molécula, como trabalha no nosso corpo e por que virou alvo de medicamentos biológicos:

O fator de necrose tumoral alfa (TNF) é uma citocina pró-inflamatória que exerce múltiplos efeitos sobre diferentes tipos de células e desempenha papel crítico na patogênese das doenças inflamatórias crônicas, como a AR, a espondilite anquilosante (EA), a artrite psoriásica (AP), e a artrite associada às doenças inflamatórias intestinais (artrite enteropática). Exerce ação citotóxica sobre diferentes tipos de linfócitos, estimulando sua apoptose e a de células endoteliais.

E quais são os biológicos disponíveis?

Atualmente, existem cinco diferentes agentes biológicos anti-TNF (também denominados bloqueadores do TNF) no mercado: o adalimumabe (ADA), um anticorpo monoclonal 100% humano; o certolizumabe (CERT) pegol, um fragmento Fab de um anticorpo anti-TNF humanizado, com alta afinidade ao TNF, conjugado com duas moléculas de polietilenoglicol (5%-10% de proteína animal); o etanercepte (ETN), proteína de fusão composta pelo receptor solúvel do TNF mais a região Fc da IgG; o golimumabe (GOL), outro anticorpo monoclonal humano; e o infliximabe (IFX), um anticorpo monoclonal quimérico (25%-30% de proteína animal). Com exceção do IFX, de uso endovenoso (EV), os agentes biológicos anti-TNF são medicações de uso subcutâneo (SC).

As indicações:

Os agentes biológicos anti-TNF são utilizados nos casos de ausência de resposta ou resposta incompleta (parcial) às drogas de base convencionais, principalmente o metotrexato (MTX), tanto na AR quanto na AP. Já na EA, podem ser prescritos após falha ao uso contínuo de anti-inflamatórios não hormonais (AINH), nos casos de doença predominantemente axial, e após drogas de base convencionais, em casos de doença periférica.

Utilizados no tratamento da AR há quase duas décadas, os agentes anti-TNF costumam ter seu uso mantido por pelo menos cinco anos em 60% dos pacientes, segundo o Registro Holandês de Monitoração da AR. Seu uso por mais de uma década não tem apresentado riscos graves com respeito à segurança a longo prazo na AR. A possibilidade de sucessivas trocas de agentes biológicos no acompanhamento a longo prazo dos pacientes com AR pode trazer dúvidas sobre a qual agente atribuir os efeitos benéficos ou adversos.

Por outro lado, os anti-TNF representam a única classe de agentes biológicos atualmente com uso comprovado na EA. Existem registros de boa resposta mantida ao uso de IFX por oito anos, ETN por quatro anos, ADA por cinco anos e GOL por dois anos. Não há distinção de eficácia entre as diferentes drogas anti-TNF no tratamento da EA.

Embora a manutenção do uso de anti-TNF seja semelhante na EA e na AR após um ano de seguimento, a persistência do uso de anti-TNF a longo prazo é significativamente maior nos pacientes com EA. Também na AP, os agentes anti-TNF mantêm boa resposta ao tratamento ao longo do tempo, não havendo prazo para suspensão da droga.

As medicações anti-TNF são contraindicadas em mulheres grávidas ou que estejam amamentando, em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva (ICC) classe III e IV, segundo a classificação da New York Heart Association (NYHA), em vigência de infecção ativa ou com elevado risco para o desenvolvimento de infecções (úlcera crônica de membros inferiores, artrite séptica nos últimos 12 meses), infecções pulmonares recorrentes, esclerose múltipla, e com diagnóstico atual ou pregresso de neoplasias (menos de cinco anos). Deve-se acompanhar o paciente de maneira cuidadosa, avaliando o possível surgimento de sinais de infecção, que deve ser tratada de forma pronta e imediata.

Fica aqui uma observação minha, o médico que te acompanha deve ter experiência para conduzir seu tratamento com segurança. Estamos falando de doença autoimune, de medicamentos que precisam ser prescritos com acompanhamento rigoroso do paciente e que o paciente esteja muito bem informado sobre riscos e benefícios. A participação do paciente de forma ativa no tratamento facilita muito a conduta do médico, mas para que o paciente participe de forma ativa, ele precisa ser educado sobre a sua doença e seu tratamento. Eu uso infliximabe desde 2009 para doença de Crohn, uma doença inflamatória intestinal (DII), depois de não conseguir estabilizar com corticoide e outras medicações para DII. Tive uma filha e meu Gastroenterologista me explicou como faríamos para conduzir a doença durante a gestação de acordo com a sua experiência. Esse é o ponto! Um médico experiente para conduzir seu tratamento. Não é o Obstetra que deve ter experiência na sua doença autoimune e sim o médico que te acompanha. O meu Obstetra não tinha nenhuma paciente com DII, eu fui a primeira e ele fez a parte dele respeitando a conduta do meu Gastroenterologista. Minha gravidez foi tranquila, minha filha nasceu saudável e continua assim.

Hoje o infliximabe tem duas funções no meu corpo, pois desde 2015 venho tratando a espondilite também com ele. Outra medicação que já usei no início para a doença de Crohn retornou, a sulfassalazina e além do Gastroenterologista tenho acompanhamento com uma Reumatologista, pois é assim que deve ser, cada um cuidando do paciente de acordo com a sua especialidade médica. Sigo vigiando meu corpo, informando aos médicos qualquer sintoma diferente, realizando os exames de rotina, fazendo atividade física e tentando seguir sem me estressar com essa rotina de tratamento e a incerteza sobre até quando estarei em remissão. Vida que segue certo?

Para ler o artigo completo: Segurança do uso de terapias biológicas para o tratamento de artrite reumatoide e espondiloartrites

Farmacêutica
Colunista
Mestre em Biociências Nucleares, Farmacêutica com especialização em Homeopatia e Manipulação Alopática, Blogueira, tenho doença de Crohn e espondilite. No meu blog www.farmale.com.br compartilho informações sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (doença de Crohn e retocolite ulcerativa), promovo encontros onde o foco é o empoderamento dos pacientes.
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Farmacêutica
Mestre em Biociências Nucleares, Farmacêutica com especialização em Homeopatia e Manipulação Alopática, Blogueira, tenho doença de Crohn e espondilite. No meu blog www.farmale.com.br compartilho informações sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (doença de Crohn e retocolite ulcerativa), promovo encontros onde o foco é o empoderamento dos pacientes.
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