Reumatismo em idosos; Fique de olho em doenças nas articulações

É preciso saber como a doença se apresenta nesta população e o que difere em outras faixas etárias

É de conhecimento geral que o aumento na expectativa de vida do ser humano, provoque o aumento do número de idosos e consequentemente, de doenças crônicas. É importante estar atentos aos pacientes desta faixa etária, ter raciocínio clínico, criar hipóteses diagnósticas bem elaboradas, pois doenças antes menos frequentes, estão cada vez mais presentes.

As doenças osteoarticulares, ocupam lugar de grande importância na saúde dos idosos. Basta ter em mente que elas causam limitação de movimentos, diminuem força muscular, causam dor articular e por isso levam a maior sedentarismo, redução da independência, aumento da depressão. É preciso saber como a doença se apresenta nesta população e o que difere em outras faixas etárias, para não confundir ou mesmo subestimar o diagnóstico.

Vale a pena citar algumas doenças importantes na Reumatologia. A Artrite Reumatóide, no idoso é uma doença inflamatória que causa destruição articular, tem início normalmente após os 60 anos, predomina em grandes articulações como os joelhos, ocorre de forma semelhante em homens e mulheres. É necessário diferenciá-las com outras doenças reumáticas tal como a polimialgia reumática, que causa também dor articular e uma intensa dor muscular.

A Osteoartrite (popularmente conhecida como Artrose) é uma doença de alta prevalência. A obesidade, sedentarismo, instabilidade articular, são fatores que aumentam o risco de ter essa doença. Após os 55 anos, 85% apresentam sinais radiográficos de artrose em uma ou mais articulações, é preciso diferenciar os casos que necessitam de tratamento específico ou de orientação para prevenção de piora ou ainda agudização. O acometimento dos joelhos é o que mais leva os pacientes às consultas devido à dor, inchaço, dificuldade de caminhar e atrapalhar as atividades do dia a dia.

Doenças da coluna vertebral podem ter variadas causas: traumas (fraturas), hérnias de disco, vícios posturais, obesidade, artrose, doenças inflamatórias ( ex: artrite reumatóide, espondilite anquilosaste, artrite psoriática). Por isso a necessidade de uma história clínica e um exame físico detalhado. Diferenciar as causas da patologia, relacionar com os exames de imagem de forma adequada para estabelecer o tratamento e as orientações.

Nos tempos atuais as opções terapêuticas também aumentaram muito, na Reumatologia o grande avanço foi o tratamento com medicações imunobiológicas, em muitas doenças possibilitaram a diminuição do uso do corticoide e do antiinflamatório, estes dois muitas vezes com mais efeitos colaterais a longo prazo.

Por fim, incentivar a atividade física respeitando as necessidades e os limites de cada paciente, proporcionar a independência física, a capacidade de realizar suas atividades diárias com segurança. É possível envelhecer bem se estiver atento aos sinais do nosso corpo, tratar e prevenir lesões. E quanto mais precoce tiver as orientações de um especialista nas diversas áreas da saúde, realizando um trabalho em conjunto, melhores serão os resultados ao longo da vida.

Cuidados a serem tomados com o paciente idoso

• Ouvir atentamente as queixas do paciente e dos acompanhantes;

• Individualizar a prescrição medicamentosa;

• Estar atento para não descompensar as outras doenças associadas, como hipertensão arterial, diabete melitus, glaucoma entre outras;

• Entrar em contato com outros médicos que acompanham este paciente, pois muitas vezes, se faz necessário acompanhamento multidisciplinar;

• Explicar detalhadamente a expectativa do tratamento, as limitações dele quando houver, assim como os riscos e benefícios;

• Fazer acompanhamento regularmente, ajustando doses, modificando a prescrição conforme necessidade.

Claudia Costa é médica especialista em Reumatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), além de pós graduada em Acupuntura e Reumatologista do Ministério da Defesa-Forças Armadas.

Fonte: A Tarde

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