Reumatismo: dores crônicas que incapacitam os pacientes

A definição de reumatismo é abrangente. Trata-se de toda e qualquer afecção aguda, crônica, caracterizada por dor articular ou outras alterações dos músculos e ossos. Na verdade, o que existe é um grupo composto por mais de 100 enfermidades diferentes.

Algumas delas têm elevado potencial incapacitante – sendo a segunda principal causa de afastamento de trabalho no Brasil, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e da Previdência Social. No Brasil, 12 milhões de pessoas convivem com o problema. Engana-se quem imagina que a doença esteja associada apenas aos idosos. Crianças e adultos jovens também podem sofrer com o problema.

Doenças reumáticas podem afetar as articulações, os músculos, os ligamentos e os tendões. Ainda podem comprometer o funcionamento de órgãos internos vitais, como o coração, o cérebro e os rins. Entre as doenças mais conhecidas estão a fibromialgia, a artrite psoriásica e a artrite reumatoide.

Os sintomas costumam ser semelhantes. O diagnóstico é acompanhado por dor persistente nas articulações, por mais de seis semanas, bem como vermelhidão, inchaço e calor. Muitas vezes, os pacientes apresentam também dificuldades para se movimentar, principalmente pela manhã.

Há vários aspectos relacionados ao desenvolvimento ou agravamento das doenças reumáticas, como fatores genéticos, traumatismos, obesidade, sedentarismo, fumo e depressão, entre outros. Em casos como o da fibromialgia, fatores psicológicos podem estar ligados ao agravamento da doença.

“O que muitas vezes frustra os pacientes é que eles vão ao médico, fazem vários exames no corpo todo e não encontram nada. Muitos acreditam que estão loucos, o que só faz aumentar a depressão e as dores”, comenta a reumatologista Evelin Goldenberg. Nesses casos, o tratamento envolve uma equipe multidisciplinar formada por fisioterapia, técnicas de relaxamento, apoio psicológico e acupuntura.

IMPACTO FAMILIAR

As doenças reumáticas são crônicas, ou seja, não existe cura, apenas tratamentos que têm o objetivo de limitar os sintomas. Seu forte potencial incapacitante pode obrigar um profissional a abandonar a vida produtiva, assim como depender dos cuidados de familiares até para tarefas simples do cotidiano ou contratar funcionários domésticos.

“Quando uma pessoa tem uma doença crônica, a família toda adoece também”, diz a reumatologista Lícia Mota, que atua no ambulatório de Reumatologia do Hospital Universitário de Brasília. Se por um lado o apoio da família é fundamental para adesão ao tratamento, em outra perspectiva o próprio cuidador também precisa ser alvo de atenção, para que consiga manter-se como um ponto de apoio.

Pesquisa realizada pelo Instituto Nielsen no Brasil e em outros 14 países, com 3.649 pacientes de artrite reumatoide, demonstrou que a idade média de diagnóstico é 39 anos, um período de alta produtividade. O número de pessoas que precisam abandonar as atividades profissionais por causa da doença é alto.

Em alguns casos, é possível receber o auxílio da Previdência Social. Mas, se o profissional é autônomo, por exemplo, acaba perdendo sua fonte de renda e terá de viver com o suporte financeiro da família”, analisa a reumatologista Lícia Mota. É muito comum que o enfermo seja o principal responsável pela renda familiar, o que pode gerar uma situação difícil.

Especialistas concordam que a doença é altamente incapacitante, mas um tratamento multidisciplinar pode fazer com que o paciente volte a realizar atividades cotidianas. “Ele precisa reaprender a fazê-las. Esse aprendizado não é apenas um exercício individual, mas um esforço conjunto de todos que estão ao seu redor”, pontua o terapeuta ocupacional Pedro Henrique Tavares, que atua junto a pacientes reumatoides.

Fonte: Correio do Estado

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Social media manager, digital influencer, blogueira, youtuber e redatora, ativista em saúde motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide há 7 anos, patient advocacy, mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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Social media manager, digital influencer, blogueira, youtuber e redatora, ativista em saúde motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide há 7 anos, patient advocacy, mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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