Os glicocorticoides e o risco de osteoporose e de fraturas

Os glicocorticoides (como, por exemplo, a prednisona ou a cortisona) são drogas utilizadas para  tratar diferentes doenças, entre elas a asma e a artrite. São muito eficazes no tratamento de muitas doenças, mas podem apresentar efeitos colaterais, sendo um deles a osteoporose. Isto torna-se mais provável quando os glicocorticoides são tomados por via oral por um período maior do que 3 meses. Os glicocorticoides em forma de comprimido mais frequentemente receitados são a prednisolona e a dexametasona.

Os glicocorticoides podem causar osteoporose?

“Sim. Os glicocorticoides podem provocar perda óssea, que ocorre mais rapidamente nos primeiros 3 a 6 meses de  tratamento. Isto resulta em um aumento do risco de fraturas. O maior aumento pode ser observado em fraturas da coluna. O aumento do risco de fraturas pode ocorrer até mesmo com o uso de pequenas doses (2,5 – 7,5 mg de  prednisolona por dia) e aumenta ainda mais quanto maior forem as doses diárias”, afirma o  reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo).

Todos os glicocorticoides têm o mesmo efeito nos ossos?

“Os glicocorticoides inaláveis utilizados no tratamento da asma e os glicocorticoides aplicados na pele são mais seguros do que os glicocorticoides tomados por via oral. Entretanto, altas doses de glicocorticoides e períodos intermitentes de uso de glicocorticoides por via oral também podem ser associados a um aumento do risco de fraturas. Injeções intravenosas de glicocorticoides, se aplicadas frequentemente e em doses elevadas, também pode ocasionar perda óssea. Não se considera que a aplicação de injeções de glicocorticoides nas juntas afetem o esqueleto”, afirma a  geriatra Elaine Kemen Maretti, que integra o corpo clínico do Iredo, Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares.

Quais pessoas estão mais expostas ao risco de ter osteoporose e fraturas induzidas por glicocorticoides? 

“Mulheres pós-menopáusicas e homens a partir dos 50 anos, com antecedentes de fratura, mulheres e homens a partir  dos 70 anos e pessoas que tomam altas doses de glicocorticoides são as mais expostas ao risco. Mulheres antes da menopausa e homens mais jovens têm um risco menor de sofrer fraturas do que indivíduos mais velhos, entretanto se  já sofreram alguma fratura no passado, o risco de sofrerem novas fraturas é mais elevado”, diz Sergio Lanzotti.

Como posso saber se corro o risco?

“Normalmente, a medição da densidade mineral óssea (DMO) na coluna vertebral e no quadril é feita em pacientes tratados com glicocorticoides para verificar se os seus ossos estão em bom estado”, informa Elaine Maretti.

Não tenho dor nos ossos. Isso significa que não tenho osteoporose?

“A osteoporose é uma doença que não apresenta dores, a menos que ocorra uma fratura. Se você não sofre de dores, isso não significa necessariamente que não tenha osteoporose. Alguns indivíduos podem ser osteoporóticos sem jamais ter sofrido uma fratura”, alerta Lanzotti.

Como posso proteger meus ossos ao tomar glicocorticoides?

“Para reduzir os efeitos negativos dos glicocorticoides nos ossos, o seu médico manterá a sua dose de prednisolona  o mais baixa possível e interromperá o seu tratamento se considerar adequado. Entretanto, pode ser perigoso suspender o uso deste medicamento ou mesmo reduzir a sua dose de forma muito repentina, então não tome estas atitudes sem consultar o seu médico”, orienta Maretti.

Tomar cálcio e vitamina D protegerá meus ossos? 

O cálcio e a vitamina D são importantes para a saúde dos ossos. Uma ingestão adequada de cálcio pode ser obtida através da dieta ou, se isto não for possível, através do consumo de suplementos. A maior parte da vitamina D que consumimos é obtida através da exposição ao sol e a ingestão de suplementos às vezes é necessária, especialmente nos casos de pessoas que não passam muito tempo ao ar livre ou não tomam sol. “A vitamina D também está disponível em alguns alimentos (www.iofbonehealth.org).  Embora seja importante garantir a ingestão de cálcio e vitamina D em quantidades suficientes, o seu médico poderá considerar que você também precisa de um tratamento adicional para prevenir ou tratar a osteoporose. Em alguns casos o tratamento pode ser iniciado simultaneamente ao início do uso de glicocorticoides”, explica o diretor do Iredo.

Que drogas são receitadas para prevenir ou tratar a osteoporose induzida por glicocorticoides?

“As drogas mais comumente utilizadas são os bisfosfonatos. Elas podem ser tomadas oralmente ou por infusão intravenosa. Quanto tomadas em forma de comprimidos, é muito importante tomá-las exatamente da forma indicada nas instruções. Como são difíceis de serem absorvidas, elas devem ser tomadas ao despertar, em jejum, junto com um copo de água. Após sua ingestão, nenhuma outra bebida – exceto água -, nem alimentos, devem ser consumidos por um período de até 30-60 a minutos. Para impedir que o comprimido cause indigestão é necessário permanecer sentado ou de pé por 30-60 minutos a partir da toma. Outra droga que pode ser utilizada é a teriparatida. Trata-se de uma injeção subcutânea autoaplicável de uso diário. Estas drogas para a proteção dos ossos são efetivas apenas quando tomadas regularmente. Se você estiver tendo dificuldades para tomá-las ou achar que elas estão causando efeitos colaterais, informe o seu médico para que possam considerar outros tratamentos alternativos”, orienta a geriatra Elaine Maretti.

Se o seu médico considerar que você necessita de um tratamento para a proteção dos ossos, este tratamento será iniciado simultaneamente ao início do tratamento com glicocorticoides e durará o mesmo tempo que dure o tratamento com glicocorticoides. Se você deixar de tomar glicocorticoides, é possível que o seu médico realize alguns testes para determinar se você deve continuar a terapia de proteção de ossos.

Fonte: IREDO

Social Media
Social media manager, digital influencer, blogueira, youtuber e redatora, ativista em saúde motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide há 7 anos, patient advocacy, mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
×
Social media manager, digital influencer, blogueira, youtuber e redatora, ativista em saúde motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide há 7 anos, patient advocacy, mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
Anúncios

Comentário

comentários

Olá, deixe um comentário!