O preconceito à Dor e a inclusão social

A dor sempre foi algo importante dentro de diversas sociedades no decorrer dos séculos, e isso pode ser observado em variados rituais de algumas tribos em que a iniciação à vida adulta esta relacionado a algum estímulo doloroso, variando desde a perfurações pelo corpo à ataque por insetos diversos.

Apesar de ser sinônimo de honra em determinadas situações, a palavra dor sempre foi causa de medo para o homem, pois a dor nada mais é que a resposta do corpo a algo incomum (na maioria das vezes), que não devia estar acontecendo. A dor pode ser causada por diversos tipos de estímulos internos (bradicinina, serotonina, histamina, etc) e externos (lesões, temperaturas altas, etc), e consequentemente a chance de iniciar uma resposta dolorosa é enorme. Essa grande porcentagem de chance de sentir dor e o medo desse estímulo pode ser percebido na gama de medicamentos hoje oferecidos pelas industrias farmacêuticas como os analgésicos, anti-histamínicos, AINES, etc.

É indiscutível o fato da dor ser importante em algumas sociedades e em outras apenas um alerta de uma não homeostasia do organismo. Sempre percebi nas pessoas uma certa fraqueza à respostas dolorosas e paulatinamente fui indagando se essa fraqueza era algo real ou apenas uma conseqüência de uma analgesia prolongada. O ser humano tem uma capacidade incrível de se adaptar a tudo, desde áreas sentimentais a físicas, como por exemplo, pessoas que vivem em determinados ambientes quase inabitáveis ou que suportam situações diárias extremas. Essa capacidade é percebida também em respostas dolorosas, e isso pode ser observado em pessoas com determinadas doenças crônicas em que o principal sintoma é a dor, em contraste com alguém livre de dores diárias. Pessoas portadoras de patologias crônicas tendem a suportar uma dor maior, porém suportar não é sinal de que a dor se tornou menor, e esse é um dos pontos que gera na sociedade um preconceito encoberto.

O preconceito à dor existe, e é esse um dos maiores rivais de doenças crônicas, mais especificamente das Artrites. Atualmente a sociedade julga como um alguém doente aquele que está “aparentemente” doente, e isso traz ao portador de Artrite uma certa dificuldade de se inserir nas diversas áreas sociais. Um exemplo desse preconceito está expresso na dificuldade de se conseguir emprego, pois a maior parte das empresas oferecem vagas apenas a deficiências “perceptíveis”, e esquecem que a dor também é incapacitante, a ponto de todas as sociedades, em diversas épocas e provavelmente futuramente, buscarem evitar esse estímulo.

A conseqüência dessa não inserção social é a reclusão ao lar, o que gera no portador de artrite reumatóide problemas psicológicos diversos, e concomitantemente a “Lei do Uso e Desuso” acaba por refletir em seu corpo, piorando ainda mais seu estado, podendo ter como resultado uma potencialidade de deformações físicas, agindo novamente sob o seu psicológico e iniciando um emaranhado de problemas.

É necessário então, a inclusão social do portador de artrites, e não somente dele, mas dos portadores de qualquer doença crônica incapacitante pela dor, pois esses estados patológicos tendem a causar degenerações psico-físicas, e essas degenerações são imutáveis, tornando-se parte do paciente.

Texto escrito por: Mauricélio Silva

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Social media manager, digital influencer, blogueira, youtuber e redatora, ativista em saúde motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide há 7 anos, patient advocacy, mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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Social media manager, digital influencer, blogueira, youtuber e redatora, ativista em saúde motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide há 7 anos, patient advocacy, mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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