O mais doloroso é saber que não existe cura

A artrite apareceu em minha vida muito cedo, porém de um jeito silencioso, tipo aqueles amores da adolescência, que do nada brotam e a gente fica se perguntando o que seria a sensação que rodeia nosso coração. Aos meus 14 anos eu tinha uma vida saudável, estudava, brincava, corria, pulava. Porém, com o passar do tempo, comecei a sentir uma dorzinha de leve em uma das articulações de um dos meus pés. No início achei que seria algo normal, até pensei que poderia ter torcido o pé, e esse poderia ser o motivo da dor, ela sumia e voltava, e eu continuava achando que seria algo normal, o tempo foi passando, e eu sentia cada vez mais, muitas dores, e daí percebi que não era normal, pois eu não conseguia me abaixar normalmente, devido as dores fortes nas articulações. Então, falei para minha mãe, ela me levou para o atendimento SUS, porém não tive êxito nos resultados, e como minha família não tinha condições financeiras de me levar em médico particular, eu fiquei sem tratamento inicial, continuei minha vida e junto com ela as dores insuportáveis.

O tempo passou e adquiri uma anemia, do tipo ferropriva, daí minha situação se agravou mais, eu não tinha apetite, e fiquei super magra, cheguei a pesar 28 quilos. A doença passou a afetar o meu psicológico também, na escola, as pessoas me olhavam indiferentes, por estar muito magra, e isso me afetou, e decidi parar de estudar, parei, fiquei um ano sem estudar e sem tratamento, e nisso eu já estava com 17 anos, depois de um ano sem estudar, decidir encarar a vida, e enfrentei, voltei  a estudar mesmo sofrendo bullying. Com 19 anos, meus pais conseguiram me levar em um médico particular, e chegando lá ele me fez uma série de perguntas sobre a doença, e me passou uma série de exames, fiz todos e voltei para saber do resultado, e chegou o momento da verdade, de descobrir que doença era essa, que me maltratava tanto, o médico me disse que desde o momento que olhou minhas mãos que estavam atrofiadas, já poderia ter me dito do que se tratava, mas preferiu fazer o correto, e então ele me revelou que eu tinha ARTRITE REUMATOIDE.

Daí ele foi me explicar, que devido a demora no tratamento, o meu caso era irreversível, não tinha cura, e eu teria que conviver com essa doença até minha morte, foi um momento muito difícil para mim, pois eu sou jovem, e é muito difícil quando a sociedade não contribui para elevar nossa auto-estima. O médico me passou os remédios de praxe para o controle das dores, no caso corticoide, e hoje eu tenho 26 anos e como esperado, a doença permanece impregnada no meu corpo, é muito difícil conviver com artrite, pois tem dias que estou sem dores, e noutros cheia, e o mais doloroso é saber que não existe cura. Mas, assim como o tempo passou, eu amadureci também e já consigo me aceitar diante da sociedade, mesmo com as minhas mãos atrofiadas, hoje estou quase formada em Língua Portuguesa, e consigo realizar atividades que pessoas que também tem artrite não são capazes de realizar. A doença é silenciosa, e poucos tem o conhecimento, por isso a maioria, como no meu caso, quando procuram ajuda, já está bem agravado. Espero que meu depoimento, possa contribuir positivamente a vida de outras pessoas, Obrigada.

Me chamo Maria Cícera da Silva Pereira, tenho 26 anos, convivo com a artrite reumatoide há 12 anos, sou professora de língua portuguesa, moro em Piranhas – AL.

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Jornalista
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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