Me sentia inválida por tentar fazer algo tão simples e não conseguir

Desde os meus 8 anos faço tratamento para hipotireoidismo, os principais sintomas são fadiga, sensibilidade ao frio, constipação, pele seca e aumento de peso inexplicável, tomo o T4, substância que supri a falta de produção de hormônios. De 2015 à 2016 descuidei da doença e não tomava os remédios regularmente e as consultas que deveriam ser feitas de 6 em 6 meses também não fiz. Até que em agosto de 2016 resolvi passar em um clínico para pedir encaminhamento para minha endocrinologista e um ortopedista, pois ali se iniciaram as minhas dores. Ainda nos pulsos, e logo após os inchaços nos dedos. O médico me pediu um exame de sangue e na mesma semana fiz, porém por ser do SUS demorou um pouco para sair o resultado.

As dores foram aumentando e eu estava fazendo uso de anti-inflamatórios. As dores passaram para os ombros, após isso para a coluna, pernas e quando vi já não andava mais direito, pois meus pés não tinham mais sustentação. Foi quando comecei a ficar com medo. Ia todo santo dia ao posto de saúde ver se meu exame estava pronto pois queria saber se iria acusar algo relacionado a tireoide, mas demorou mais de um mês para sair. No dia em que saiu fui direto ao pronto socorro para o médico ver e já me passar um remédio para dor. Ele disse que o exame não estava muito elaborado mas aumentou minha dose de T4 para 75mg, cortou doces e massas pois eu estava com anemia, me receitou remédios para dormir e comer pois eu já não estava conseguindo mais fazer ambos por conta das dores. Comecei o tratamento e lá se foi mais 1 mês com dores. Mudei a partir dali hábitos alimentares, parei com os doces pois estava associando minhas dores a eles, tomei a medida certa dos remédios como o médico recomendou, e tive a esperança de tudo melhorar.

Mas se passou um mês de tratamento e as dores aumentando. Minha qualidade de vida já não existia, eu não lavava uma louça, não arrumava uma cama, até tentava mas era vencida pelas dores. Para vestir uma roupa era um desespero, eu chorava por me sentir inválida por tentar fazer algo tão simples e não conseguir. Ia ao pronto socorro sempre, passava com ortopedistas e só me receitavam relaxante muscular, e anti-inflamatório.

No final de novembro passei em consulta com a minha endocrinologista, falei a ela o que sentia, mostrei minhas mãos inchadas e a mesma disse que se em março eu voltasse em consulta com ela para a entrega do ultrassom que ela pediu (sim, ela só me pediu um ultrassom!), deveríamos “investigar” o que estava havendo, fui embora sem solução e sem uma atenção da minha própria médica que passo desde pequena. Resumindo um pouco, de agosto até Dezembro (em um pico mais alto da dor, no qual fui internada e tomei minha primeira dose de corticoide ) convivi com a dor. Demorei demais a ser diagnosticada, e até então todo dia era um sofrimento. Eu me desesperava pois não sabia oque estava havendo comigo, se eu tinha feito aquilo por não ter me cuidado, cuidado da minha saúde.

Fiz um hemograma completo e o fator reumatoide que deveria ir até 8.0 estava em 16.07, Foi quando fui diagnosticada com artrite reumatoide. Desde dezembro de 2016 faço uso do remédio adequado e hoje em dia não sinto dores tão fortes quanto, levo uma vida normal e sempre tomando cuidado com o esforço em excesso, e com a postura. Só estou me adaptando apenas com as mudanças de humor que o corticoide trás, e algumas tonturas. Mas nada é pior do que as dores que eu sentia. Contei com o apoio e a ajuda de todos que me cercam que procuraram saber mais sobre a doença também, tive a sorte de acreditarem na minha dor e compreender , isso facilitou muito meu processo de aceitação dessa doença. Descobri a artrite reumatoide há 2 meses, e desde então nada é como antes.

Me chamo Juliana Da Silva Morais, tenho 20 anos, convivo com artrite reumatoide há 4 meses, moro em São Vicente – SP.

Dor Compartilhada é Dor Diminuída“, conte a sua história e entenda que ao escrever praticamos uma autoterapia e sua história pode ajudar alguém a viver melhor com a doença!

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Social media manager, digital influencer, blogueira, youtuber e redatora, ativista em saúde motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide há 7 anos, patient advocacy, mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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