Manifestações Extraintestinais das DII

Olá amigos! Hoje trago para vocês informações sobre as Manifestações Extraintestinais (MEI) das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII). Pois é, além de acometer o sistema gastrointestinal, as DII também podem causar problemas em outras partes do corpo e mesmo sendo péssimo saber disso, os pacientes (e os profissionais de saúde) precisam ficar atentos aos sintomas para que possa receber o tratamento adequando o quanto antes.

Olhem que interessante: A maioria das MEI das DII apresenta correlação entre episódios de atividade intestinal e exacerbação dos sintomas extraintestinais. Entretanto, algumas manifestações como, por exemplo, artrite axial, pioderma gangrenoso e colangite esclerosante primária parecem ter um curso independente da atividade intestinal. Eu tenho espondiloartrite axial, estou em remissão da doença de Crohn (DC) desde a minha cirurgia em 2013, mas desde o ano passo, tenho sentido dor, rigidez matinal que só passam depois que eu começo a me movimentar. Os exercícios físicos melhoram muito, fico praticamente zerada de dor, mas desde junho que não tive tempo nem disposição para me exercitar, então… o corpo reclama. Por que estou confessando isso com vocês? Para que vocês acreditem que o exercício físico, bem orientado pelo Educador Físico e indicado pelo seu Médico, pode ser o seu analgésico e isso é comprovado cientificamente. Na minha última consulta com a Reumatologista levei um “puxão de orelha” e saí sem nenhum prescrição de medicamentos, somente o atestado para o retorno à atividade física.

As MEI das DII podem ser divididas em três classes distintas

  • A primeira classe engloba manifestações reativas que geralmente se relacionam com a atividade de doença (como artrite periférica, eritema nodoso e lesões aftosas orais) ou não (pioderma gangrenoso, uveíte, espondiloartropatias, colangite esclerosante primária).
  • A segunda classe compreende manifestações às quais pacientes com DII estão mais predispostos como uropatia obstrutiva, nefrolitíase e colelitíase.
  • A terceira classe engloba manifestações não relacionadas nessas duas primeiras categorias como amiloidose, eventos tromboembólicos, osteopatia.

Hoje vou compatilhar com vocês somente sobre as manifestações articulares

Complicações musculoesqueléticas em pacientes portadores de DII são frequentes e acometem cerca de 33% dos pacientes.

As manifestações reumáticas nas DII são divididas em artrite periférica e em acometimento axial, incluindo sacroileíte com ou sem espondilite. Outros acometimentos periarticulares podem ocorrer como entesopatias (envolvimento da inserção dos tendões), tendinites, periostites e lesões granulomatosas de ossos e articulações.

As manifestações articulares são significantemente mais comuns em pacientes com doença colônica.

Artropatia periférica ocorre em 10 a 20% dos pacientes com DII e é mais comum nos pacientes com DC. Também chamada de artropatia periférica enteropática. Pode ser dividida em pauciarticular e poliarticular.

Na forma pauciarticular (também chamada tipo I) há o acometimento de menos de 5 articulações. Os sintomas articulares são geralmente agudos e autolimitados (duração menor que 10 semanas), o envolvimento é assimétrico e migratório, com participação de grandes e pequenas articulações. Os membros inferiores são geralmente afetados. Tem natureza recorrente e os sintomas acompanham os surtos de atividade de doença intestinal. Assim, geralmente o tratamento da doença intestinal melhora o acometimento articular. Esses pacientes têm maior frequência de outras MEI como eritema nodoso e uveíte. É interessante que em 31% desses pacientes a artropatia pode aparecer até 3 anos antes do diagnóstico de DII.

Já a forma poliarticular (tipo II) tende a ter um curso crônico e pode ser destrutiva. Seu curso é independente das exacerbações da DII e a coexistência com outras MEI é rara, exceto uveíte.

O envolvimento axial relacionado às DII são mais comuns na DC (5-22%) que na RCUI (2-6%). Os principais sintomas incluem dor lombar e rigidez matinal. A artropatia axial relacionada às DII inclui a sacroileíte, observada radiograficamente em 20 a 25% dos pacientes e a espondilite anquilosante HLA B27 positiva ou negativa, observada em 3 a 10% dos pacientes. Os sintomas axiais frequentemente precedem os sintomas intestinais. Geralmente esse tipo de manifestação não se relaciona com a atividade de doença intestinal.

O tratamento das manifestações reumáticas das DII incluem sulfassalazina e mesalasina, imunomoduladores e medicações anti-TNFα.

A influência dos fatores genéticos é importante na patogenia das MEI das DII – A concordância de MEI em pacientes da mesma família com DII é alta e varia entre 70 a 84%.

Sei que não foi muito bom saber dessas informações, mas lembre-se que informação segura também é tratamento, que quando somos empoderados sobre a nossa doença, nos sentimos seguros, podemos participar ativamente do tratamento. O seu médico e outros profissionais de saúde podem e devem conversar com você sobre o tratamento e juntos caminharem em busca da melhoria da qualidade de vida e da remissão.

Sinatam-se abraçados!

Alessandra de Souza

www.farmale.com.br

Fonte: Grinman AB. Manifestações extraintestinais das doenças inflamatórias intestinais. Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto. 2012;11(4):22-26

Farmacêutica
Colunista
Membro do Biored Brasil, Parceira do Projeto de Gastronomia na Promoção da Sáude/UFRJ, Voluntária do blog Artrite Reumatoide, RecomeçARRJ e ALEMDII, Farmacêutica, Blogueira ativista em saúde e mãe da Sophia. Ter doença de Crohn mais a espondiloartrite associada motivou-me a criar o blog www.farmale.com.br para compartilhar informações sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais e para sair do virtual, promovo eventos onde o foco é o empoderamento dos pacientes.
×
Farmacêutica
Membro do Biored Brasil, Parceira do Projeto de Gastronomia na Promoção da Sáude/UFRJ, Voluntária do blog Artrite Reumatoide, RecomeçARRJ e ALEMDII, Farmacêutica, Blogueira ativista em saúde e mãe da Sophia. Ter doença de Crohn mais a espondiloartrite associada motivou-me a criar o blog www.farmale.com.br para compartilhar informações sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais e para sair do virtual, promovo eventos onde o foco é o empoderamento dos pacientes.
Anúncios

Comentário

comentários

Olá, deixe um comentário!