Idoso, essa vaga não é só SUA!

“Vagas preferenciais, filas preferenciais, estacionamentos preferências”

“ASSENTOS PREFERENCIAIS”

 

São preferenciais à todas as pessoas com deficiências, mães com crianças de colo, mulheres gestantes,idosos (maiores que 65 anos)  e PESSOAS COM MOBILIDADE REDUZIDA. Mas infelizmente parece que uma boa quantidade dos idosos, compreendem que as preferências são apenas deles.

Hoje, voltando pra casa,sentei em um assento preferencial no metrô, estava distraída lendo e-mails no celular, quando senti uma mão me tocar nos ombros “um toque violento, tipo me puxando para frente”, levantei os olhos e estava uma senhorinha enfurecida, falando assim, “você não tem vergonha de estar no meu lugar, porque eu sou idosa você me deve respeito, levante daí agora, eu tenho dor e quero sentar”, nossa, meu sangue ferveu, quando ela terminou dizendo “eu tenho dor e quero sentar”, pensei comigo, que bom que você tem dor nessa idade, eu tenho dor aos 30, mas respondi para ela assim, eu tenho o mesmo direito que a senhora de ocupar esses assentos, mostrei a minha carteirinha da Sptrans com os símbolos internacionais da pessoa com deficiência, ela ironicamente, falou assim “coitada”. Eu fiquei sem fala, sentia meu rosto queimando, minhas pernas bambas, nem respondi, porque queria mesmo era bater nela. Então uma moça nos assentos comuns levantou e deu lugar para a senhorinha mal criada.

Sabe, já é uma superação sentar nos assentos preferenciais, nas primeiras sentadas a gente fica com aquela sensação “tá todo mundo me olhando”. Mas infelizmente nós pessoas com mobilidade reduzida, temos que procurar os assentos preferenciais, até mesmo por medida de segurança, eu não tenho força nas mãos para segurar nas barras de ferro, se tem um impacto, não consigo ficar de pé, porque as pernas também não são estáveis, em um impacto certamente podemos cair, porque não conseguimos o equilíbrio nas pernas, nem as forças nas mãos para se manter em pé.

Evito usar ônibus, porque os assentos preferenciais são em número menores e a possibilidade de impactos repentinos são bem maiores, por isso, como não consigo dirigir, uso sempre,trem, metrô e táxi. (não consigo dirigir por conta da visão).

Agora, escrevo este post como forma de desabafo-revolta, desde que apresentei a necessidade de fazer uso do direito preferencial. Apenas uma classe da população se apresenta mal criada e revoltosa com o uso das preferências os IDOSOS. Na lei da acessibilidade não se encontra nenhuma determinação dizendo que o direito preferencial é direito primeiro dos idosos e  se sobrar aos demais.

Apenas para ilustrar a razão da minha revolta, quando sou questionada por um idoso, eu educadamente explico a minha situação, se eu estiver bem e for educadamente abordada, me identifico com a carteirinha e quase sempre levanto do lugar para o idoso educado sentar, agora se o idoso faz a abordagem de forma grossa e desprovida de educação, eu não levanto e pronto. Eu já perdi a conta de quantos constrangimentos eu já passei por conta do idoso mal criado.

Quando estou sozinha quase sempre a situação é resolvida da forma mais discreta possível. Agora quando estou com minhas irmãs, acontece os famosos barracos, uma vez no supermercado,estava eu (1 dia após a quimio) na fila preferencial, quando uma senhora, me puxou pelo ombro com bastante força que fez meu corpo virar, minha irmã mais nova estava vindo na direção do caixa quando viu a senhora me puxando, automaticamente a Bia veio correndo em minha direção e tirou a mão da senhora do meu ombro, foi uma discussão horrível, paramos o mercado e a senhora gritava, você não tem direito de estar nessa fila, esse direito é meu, esses jovens mal educados, e eu coitada de mim, naquele dia não tinha força nem pra discutir com ela. Só vi minhas irmãs falando pra ela que ela não iria apanhar por conta do estatuto do idoso e a segurança do mercado em volta da gente, esse dia foi muito engraçado, porque Tiago (meu filho) dizia mãe senta no carro que eu fico na fila, Geovana minha sobrinha dizia, tia  quero arrebentar ela.

As crianças nesses dia ficaram muito impressionadas porque eu estava descorada, passando mal e havia saído de alta 1 dia antes, ficou os 3 (meus 2 sobrinho e Tiago) revoltados com a falta de educação e agressividade da senhora idosa. São tantos os episódios de constrangimentos que já passei por usar as vagas e assentos preferenciais, e a coisa fica pior quando digo o que tenho e as pessoas ao redor simplesmente mudam os semblantes de questionamento para penalização, isso dói, gente, dói demais você ser olhado com cara de “coitadinho”, coitado é um ser que não existe, como diz as crianças “coitado é filho de rato que nasce no meio do mato pelado”. Por isso Idosos essas vaga não é só sua nem por um minuto. Vou sugerir aos conselhos de defesa dos direitos da pessoa idosa que coloquem na pauta a educação da pessoa idosa sobre os direitos e deveres de quem usa as vagas preferências.

Desculpem o desabafo, mas estou cansada de ser agredida verbalmente por idosos que pensam que todas as preferencias são para eles. só eles tem dor, só eles tem direito de sentar nos assentos preferencias, só eles podem ficar nas filas de bancos e supermercados. O que será da sociedade se os idosos não dão exemplos para serem respeitados, como dizer a uma criança para respeitar os mais velhos, se os mais velhos não nos respeitam. Bem, eu faço a minha parte, ensino a Tiago o que é Cidadania, isso deveria ser matéria obrigatória no ensino das escolas secundárias, enquanto isso não acontece, eu posso garantir que pelo menos que meu filho se tornará um Cidadão Justo e Educado e eu uma senhorinha consciente!

 

Jornalista
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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Jornalista Grupar EncontrAR
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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16 Comentários

  1. E como fazer nas filas dos bancos? tenho que levar atestado que comprove a doença? Um dia tava em crise, meus pés muito inchados, e peguei uma senha preferencial e o caixa veio logo me questionar, aí eu expliquei, mas no final do atendimento ele falou que da próxima vez eu teria que levar o atestado médico.

    • Elaine, quando não estou bem eu utilizo as filas preferenciais sim!
      Aqui em São Paulo temos os bilhetes de transportes gratuitos que vem com o símbolo internacional da pessoa com deficiência, eu utilizo o meu bilhete especial. Mas vale sim, usar uma cópia de um relatório médico. Seria perfeito se as pessoas fossem educadas e humanas. Nos Estados Unidos nem existe filas preferenciais, pra vc ter ideia.

    • Elaine, sim vc deve ter sempre uma cópia do seu relatório médico, isso evita o stress,p de questionamentos idiotas.
      Uma outra forma de provar o direito preferencial é ter uma carteirinha do transporte público gratuito para Pessoas com Deficiências, chamado de “isenção tarifária”.
      Converse com o seu médico e busque informações junto ao Serviço Social da sua cidade.
      Boa Sorte!
      Abraços

      Pri Torres

  2. Carol ..

    Essa senhora certamente nunca carregou uma barriga, por isso que diz que não pesa, né.. Só sabe um peso de uma barriga quem a carrega..

    Infelizmente é muito verdade, os velhinhos tão ficando malvadinhos..

    Expectativas finais para ver o rostinho do bebê ein..

    Bjão!!!

  3. Adrinéia ..

    Sei bem o que é isso, pensa pelo lado positivo, qdo a gente "crescer" não vamos ser tiazinhas encrenqueiras..

    Beijinhos

  4. Olá!!!
    Sou seguidor do blog, e li seu desabafo… Há algumas semanas eu também entrei em uma fila preferencial, não pela AR que nem sabia que tenho esse direito, mas porque o nosso Papai do Céu me abençou e estou grávida de 8 meses de uma princesa… então estava eu na fila com dores nas pernas, cansada, com falta de ar, quando percebi que os idosos estavam saindo da fila para fiscalizar minha barriga, e isso foi pouco uma senhora que estava na minha frente que já tinha pago sua contas disse que nem pesando minha barriga estava… bom ninguém pede a eles um comprovante ou dizem que são mais ou menos idosos… é fiquei constrangida só tinha eu de gestante na fila e fiquei pensando como era grande o meu poder de estragar o dia dos outros. Depois disto não entrei mais em fila preferencial, pois os velhinho não são tão bonzinhos e endefesos quanto parece.
    Dor partilhada e dor reduzida.
    Bjks e fique com Deus.

  5. Nossa Pri, vive acontecendo isso comigo, principalmente porque sou baixinha, as vezes olham de tras e pensam até que é uma criança.
    quando estou me sentindo bem dou o lugar, mas tem dias que não da, dói muito, e vcs sabe que dói.
    E para ter uma idéia as vezes saio com minha vó, e se tem banco vago ela manda eu sentar. rsrs
    Adrineia

  6. Lu …

    Vc não tem as carterinhas para o transporte público gratuito? pois estas carterinha servem como prova do direito que temos.. Basta apresenta-las e pronto.

    Bjs

  7. Boa Tarde! Isso acontece mesmo e é frequente! Comigo ja aconteceu varias vezes, algumas vezes as pessoas expoêm verbalmente e as vezes fazem caras feias e murmuram baixinho, mas a gente sabe que é com a gente; e agora para mim depois que eu operei a coluna e parei de usar a bengala não dar para ver claramente que tenho Espondilite aí que niguém vai dar lugar ou entender que se estou sentada ali é porque tenho direito, por opção agora faço o possível para sentar nos banços comuns!

  8. Mara.

    No shopping, eu uso fila preferencial de qualquer loja, uso a entrada do cinema e ainda pago meia.. um domingo desses estava com Tiago(meu filho)na fila preferencial do cinema, dia de estréia todas as filas estava gigantes, quando a minha vez chegou na fila preferencial era a vez de um casal gay na fila normal, um deles gritou bem alto,que abuso ela ñ ta gravida ela é gorda não aceito que passe na minha frente, nem preciso dizer meu rosto queimou, qdo me dei conta lá vinha Tiago trazendo 2 seguranças e disse assim pronto mãe, ai apresentei as identificações e o casal foi retirado da fila pelos seguranças, no dia o segurança disse assim, depois a senhora passa na nossa sala pra pegar a ocorrência interna para registrar o B.O.. + eu fiquei tão constrangida que o filme nem teve + graça.

    Deficiente de fato, não somos nós e sim a sociedade.

    Adorei o seu blog e conhecer a sua história.
    Bjs..

  9. MAIS ALGUMAS COISAS QUE LEMBREI:
    – nas filas como caixa de supermercado também é difícil, já teve caixa que não me aceitou, tive que chamar supervisão e provar… é uma pena, pois é uma coisa que gosto de fazer e não sei por quanto tempo vou conseguir, pois é muito penoso de dor que passo.
    – Mas o que fazer se até pessoas "amigas" ??? já me disseram: você tá de rolo!!! pode?

  10. Oi meninas,
    Nossa nem dá pra contar as vezes que somos humilhadas com isso, até já fiz um post no meu blog DISCRIMINAÇÃO CONTRÁRIA, é que falei que quem tem dificuldade de locomoção e não é cadeirante, sofre muito, e ainda mais se somos mulheres novas e gostamos de nos arrumar, pra ver se pelo menos levantamos a auto-estima, com as dores 24 horas por dia. Já passei por vários casos e tem lugares que nem uso mais meu direito de tanta humilhação.
    No shopping, já tive 1 pessoa deficiente que parou o carro do lado do meu nas vagas exclusivas, me olhou, desceu e se dirigiu ao segurança… e ficou me olhando muito… e claro tenho a credencial no carro.
    Outra vez no centro, uma mulher dirigindo seu carro (e eu que nem posso fazer isso), ficou esbravejando e mandando meu marido tirar o carro que ela queria parar… só ela que tinha direito… deve ser porque ela era mais feia (brincadeira kkkkkkkkk)
    As vezes que as vagas estão ocupadas por não necessitados é enorme, já chamei até a polícia em hospital e realmente eram pessoas que iriam ficar os tais SÓ UM MINUTO… para termos algum tipo de doença incapacitante, tem que ser pobre, feio, mal-arrumado e cadeirante… E ninguém conhece a lei que é também PARA PESSOAS COM DIFICULDADE DE LOCOMOÇÃO. Eu que nem andar mais de ônibus posso, só o balanço já grito de dor, ultimamente até o balanço do carro é difícil, meu marido (motorista) anda sempre com muito cuidado.
    Mas vamos juntos brigando por nossos direitos, assim quem sabe as pessoas aprendem.

  11. Oiee Rô.. q saudade de vc!!

    Pois é, em clínicas a coisa tbe é feia, um dia paramos o carro na vaga especial e entramos, então faltava um documento voltei ao carro para pegar quando chego na porta pego os 2 seguranças olhando a identificação do carro e dizendo um pro outro assim.. "Vc viu que abuso, nenhuma delas tem nada", o carro é da minha irmã, a minha plaquinha tem que ser móvel pq não posso dirigir + nesse dia, eu entrei pra clínica chamei o responsavel e pedi o e-mail, chegando em casa fiz um relatório da situação e pedi respostas e providências por escrito, tempos depois recebi um e-mail que o profissional foi adivertido e que isso não iria acontecer mais. … Se a gente for contar cada causoos.. vamos fazer este post virar gigante.. tão grande quanto a ignorância da sociedade.

    Bjãoo e vamos encontrAR em Maio…

  12. Oi Pri, sei exatamente o que sentiu, pra falar a verdade nunca mais tento pegar onibus, "não consigo subir" e procuro não estacionar em vagas com a bandeira do idoso, e sim com a bandeira da cadeira, isso pq mesmo eu tendo a bandeira a vista qdo estaciono, e sempre uma reclamação, varias vezes já me prontifiquei p apresentar meus documentos, é claro deixando claro q a pessoa em questão não tinha o direito de querer ve-los, um dia em um shopping, uma senhora até chamou a segurança, ela achou q eu não tinha notado o q tinha feito, então já ia me dirindo ao segurança, qdo este me falou que eu tinha os meus direitos, na frente dela, e ele ainda disse, q tendo a bandeira a vista, ele não poderia dirigir-se a mim, e sim procurar pela placa do meu carro, p certificar q era sim portadora de mobilidade reduzida… na clinica é a mesma coisa, é claro q estaciono, na vaga especifica… e p variar uma senhora entrou informando a recepção, q tinha gente normal estacionando na vaga de deficiente… mas uma vez… falei dos meus direitos… as pessoas nem se quer sabem a nosso respeito p questionar, isso é triste… qdo era preciso ir ao banco, tbm era um problema, hoje com cartão resolvo tudo fora da agencia, mas várias vezes na fila de "aposentados" as pessoas me informavam de q a fila era p "aposentados" sempre respondia eu sei, minha senhora… mas daí a pergunta pq vc jovem está aqui … era triste, mas varias vezes tive q falar q era aposentada, q tinha mobilidade reduzida… e dpois sempre ouvia esse "ah coitada" o q me deixava mais triste…mas agora sou vacinada contra esse tipo de gente, já nem me importo, e qdo dirigem a mim, pergunto simplesmentese quer ver minha cart de habilitação, daí a pessoa já fica sem graça, e sai falando, " ah bom é que tem gente q estaciona nessas vagas e é jovem e saudável" eu digo q as aparencias podem enganar… meus filhos tbm já compraram a minha briga, varias vezes, eram eles q saiam p responder q ninguem sabia da minha vida, ou da minha saúde… são tantas situações, tanto constrangimento… que escreveria o dia inteiro… mas vc sabe heheheh tenho minha limitações… Beijinho e fique bem, viu!

  13. Denise
    A minha mãe agora diz, que depois de mim, passou a ver o mundo de outra forma. E é isso que precisamos no mundo, conscientização e principalmente educação. Como é isso ai na Alemanha?
    Bjs

  14. Sua situacao é bem delicada, prima, afinal, vc nao aparenta ser "deficiente". O mundo é guiado infelizmente pelas aparências, mas as aparências enganam.

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