Fadiga da artrite reumatoide, pode persistir até com doença em remissão

Pesquisadores descobriram que a artrite reumatoide em remissão não equivale a remissão da fadiga na maioria dos pacientes avaliados no estudo da Universidade de Aberdeen, na Escócia, ressaltando a necessidade de identificar e tratar a fadiga persistente.

Fadiga é um cansaço constante, que acompanhe boa parte das pessoas que convivem com artrite reumatoide, a fadiga pode ser tão angustiante e incapacitante que a dor, sendo muitas vezes difícil de tratar. A fadiga na artrite reumatoide está sendo relacionada com uma molécula chamada citocina que promovem inflamação, assim como o fator de necrose tumoral (TNF). O uso de medicamentos biológicos que bloqueiam o TNF reduz a prevalência de fadiga. No entanto, um novo estudo publicado na revista Rheumatology, mostra o quanto a fadiga relacionada a artrite reumatoide é teimosa e de difícil tratamento, pois mesmo quando a própria doença de base (artrite reumatoide) está controlada com o uso de um medicamento biológico Anti-TNF, a fadiga tem sido uma característica persistente para os pacientes.

Pesquisadores da Universidade de Aberdeen, na Escócia, analisaram os dados de mais de 13.000 pacientes com Artrite Reumatoide (recrutados entre outubro de 2000 e novembro de 2008) que estavam prestes a iniciar o tratamento com um medicamento biológico Anti-TNF. Os dados eram da Sociedade Britânica de Reumatologia – Registro Biológicos da Artrite Reumatoide.

Os estudos identificaram 2.652 pessoas com fadiga severa, no início do estudo. A classificação de fadiga severa, leva em consideração o impacto da fadiga na qualidade de vida. Seis meses depois de iniciar um medicamento biológico Anti-TNF, 271 (10,2 %) dos pacientes preencheram os critérios de remissão da doença, com base na tabela de índice de atividade da doença (DAS28), que inclui avaliação da evolução da doença, inchaço nas articulações e exames de controle, entre outros fatores clínicos.

Os pesquisadores descobriram que a doença em remissão não equivale a remissão da fadiga na maioria dos casos. Apenas 37,3% de 101 dos 271 pacientes – relataram remissão completa da fadiga, com um adicional de 124% que relataram remissão parcial da fadiga, e 46% dos pacientes não experimentaram nenhuma melhora significativa da fadiga apesar de estar em remissão da completa da artrite reumatoide, ocorrendo dessa forma, permanência da fadiga na vigência da remissão da artrite reumatoide.

Outros fatores causadores da Fadiga?

Observou-se que aqueles pacientes em remissão da artrite reumatoide e com permanência da fadiga, foram mais propensos a ter histórias de depressão, acidente vascular e/ou hipertensão arterial, quando comparados ao grupo que apresentaram remissão da artrite reumatoide e da fadiga e que fizeram uso de antidepressivos e corticoide.

Embora o estudo não explique porque as pessoas com artrite reumatoide em remissão, continuam sentindo fadiga, levanta várias possiblidades, diz Arthur Kavanaugh, MD, professor de medicina na Universidade da Califórnia, em San Diego, que não esteve envolvido no estudo. “Uma delas é que as nossas definições de remissão não são suficientemente rigorosas, e que a inflamação subclínica pode estar causando fadiga. A outra é que toda a fadiga em pacientes com doença reumática não se relaciona com a inflamação, ou até mesmo, talvez, à sua doença “, diz ele.

Outras causas potenciais de fadiga em pessoas com artrite reumatoide podem incluir distúrbios do sono, dor, depressão, medicamentos e inatividade física, diz o Dr. Basu. “Mais pesquisas são necessárias para compreender os caminhos biológicos envolvidos.”

Um ponto fraco do estudo é que os dados não revelam por que os pacientes tinham recebido prescrições de antidepressivos e corticoide. “Estes podem ser prescritos para pacientes com fibromialgia secundária ou sintomas de fadiga crônica”, diz Susan Goodman, MD, um reumatologista no Hospital for Special Surgery, em Nova York, que também não estava envolvido no estudo. “Isso não enfraquece a força da observação de que a fadiga na Artrite Reumatoide precoce pode ser devido a doença ativa e freqüentemente responde à terapia biológica anti-TNF, enquanto a fadiga descrita naqueles que alcançaram remissão DAS/28, continua a ser mais difícil de explicar e tratar. “

Fadiga além dos medicamentos

“Os pacientes descrevem a fadiga como sendo mais difícil de lidar do que a dor, e frequentemente mais limitante, então eu acho que é uma limitação séria sobre a saúde relacionados com qualidade de vida para pacientes que vivem com Artrite Reumatoide,” diz o Dr. Goodman. Para as pessoas cuja fadiga não responde à terapia biológica anti-TNF, outras causas devem ser examinadas, diz ela. “Dor e depressão estão no topo da lista de possibilidades. Existem outras causas comuns de fadiga, mas o mais comum é geralmente causado por baixa qualidade do sono”, finaliza Dr. Goodman, sugerindo uma boa avaliação do padrão e quantidade de horas de sono.

É importante determinar a causa da fadiga, isso ajuda a encontrar uma solução. “As características desses pacientes sugerem que as intervenções não farmacológicas conjuntas, devem ser testadas”, diz Dr. Basu, observando que o aumento dos níveis de atividade física e terapia psicológica podem ajudar a entender e tratar a fadiga persistente na artrite reumatoide.

Medicamentos Biológicos Anti-TNF

Anti-TNF é uma molécula inibidora dos receptores da proteína TNF, que são responsáveis por ampliar a inflamação provocada pela artrite reumatoide, no Brasil, temos vários medicamentos biológicos distribuídos pelo SUS e fornecidos pelo plano de saúde, entre eles: Adalimumabe (Humira), Etanercepte (Enbrel), Certolizumabe (Cinzia), Inflixumabe (Remicade), entre outros.

Inspirado em Arthritis Foundation

Jornalista
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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Jornalista Grupar EncontrAR
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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