Estou de volta, compartilhando minha metamorfose!

Hoje estou com 33 dias da cirurgia plástica. Foram tantas emoções em tão pouco tempo.

Operei no dia 20/06, uma quarta-feira, quando acordei da anestesia foi pra mim o momento mais emocionante, “eu perguntei onde estava, e a enfermeira disse na recuperação anestésica e agora já pode ir pro quarto”, nossa que alegria! Eu não morri! Estava viva e nem fui passear na UTI!! Um grande alivio! Pois meu medo antes da cirurgia era do tamanho do mundo.

Chegando ao quarto, pedi correndo para minha mãe me mostrar a barriga. Nossa que alegria dupla, eu não tinha mais barriga, deu certo! Na primeira noite, passei a madrugada toda com queda da pressão arterial, no começo da manha de quinta-feira minha pressão estabilizou, tive alta no final da tarde, cheguei a casa andando curvada, trazendo um dreno de portovac, uma ferida operatória gigante, e vários hematomas da lipoaspiração, meus primeiros dias em casa foram regados de muito choro, cada levantada era uma choradinha,cada vez que levantava me arrependia. A posição que temos que ficar depois da cirurgia e de barriga pra cima, pernas elevadas, usando meia anti-trombose, cinta cirúrgica e decúbito elevado (isso mesmo, dormir quase sentada). Essa posição é a mais confortável para quem se submeteu a abdominoplastia, porém, para nós que temos Artrite Reumatoide, essa posição e terrível, primeiro porque com AR, dormimos sempre mudando de posição, porque dói aqui, dói ali, mas operada, eu só podia dormir de barriga para cima, nossa, que agonia, doía a barriga, doía o quadril, doía o joelho, doía até bater o desespero, aos poucos fui me acostumando com esse kit dor. A dor da abdominoplastia é controlável com medicamentos fortes, tomando remédios de horário, eu nem sentia tanta dor.
Nas primeiras semanas, eu não conseguia comer comida, tentava comer e passava mal, náuseas, tonturas, mal estar, até que na noite do nono dia, eu comecei a sentir uma dor no abdome superior que se irradiava para as costas, o abdome todo parecia que ia explodir, uma dor horrível, começou as 19 hs e eu pensando que ia melhorar, deitava, levantava, chorava, até que não aguentei mais e chamei minha irmã,e fomos para o pronto socorro, paguei um super “mico” cheguei de madrugada, carregando o dreninho, sem conseguir andar direito, fiquei na cadeira de rodas, a minha dor era tão grande, fui para o Pronto Socorro onde trabalhava, e logo, os funcionários vieram me ajudar, após exames foi constatado que estava fazendo uma nova “Hepatite Medicamentosa”, voltei para casa.

Para hepatite medicamentosa, o remédio e não tomar remédios, retirados todos meus medicamentos inclusive o antibiótico que estava tomando e faltavam ainda 3 dias para terminar. Remédios suspensos, dor abdominal controlada. E uma grande preocupação, e a AR?

Com 15 dias retirei o dreno e os pontos, comecei a fazer as drenagens linfáticas, o inchaço começou a diminuir, a cinta já podia ser mais apertada. Comecei usando cinta G e hoje estou com a M. Tudo parecia perfeito demais para uma “Pri”, ate que, com 22 dias amanheci com uma dor estranha no lado direito da cirurgia, essa dor era acompanhada de um edema (inchaço) e vermelhidão, no dia seguinte, em um local de um ponto, começou a sair pus, voltei ao médico e mesmo em franca hepatite, foi preciso voltar a tomar antibiótico, este pontinho virou um abscesso, com 29 dias o médico drenou o abscesso e pronto, tirou a minha dor e desconforto com a mão. Já estou andando retinha, ainda estou bem inchada, diminuí 7 kilos, deixei de usar calça 48 para usar 44. O desafio da cirurgia plástica foi vencido com êxito!

Para muitos isso seria apenas uma correção estética, uma vaidade, para nós mulheres artríticas, vitimas da cortisona e do sobrepeso pós-AR, isso representa a recuperação da autoestima e um UP na qualidade de vida.
Agradeço a todos pelo imenso carinho, ao Dr. Juan Carlos Montano pela competência, profissionalismo e humanismo, da minha peregrinação por médicos, ele foi o único que aceitou me operar a preço de paciente comum, pois houve médicos que cobravam preço especial por ser uma paciente diversificada, para não dizer complicada! E é claro, agradeço a minha super família, ao meu super Tiago que perdeu as férias escolares cuidando de mim.

Agora, voltando à jornada Artrítica, próximos capítulos;
•    Controle da Hepatite Medicamentosa e após recuperação do fígado;
•    Novo tratamento medicamentoso para a AR (com PPD positivo e agora grande dificuldade para fazer a quimioprofilaxia da TB), resistência a MTX, intolerância a Sulfa e completo ódio da cortisona!

Vamos chamar o Dr.House !!!

Texto publicado em minha Coluna RecomeçAR no Portal Reumatoguia

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Jornalista, motivada pelo diagnóstico de Artrite Reumatoide aos 26 anos, enquanto atuava como enfermeira, estava acostumada a lidar com a dor, porém, a dor dos outros. De repente a dor passou a ser minha companheira. Troquei o cuidar assistencial pelo cuidar informacional e escrevi o Blog Artrite Reumatoide, para compartilhar a minha dor, aprendi então, que Dor Compartilhada é Dor Diminuída. Hoje sou “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde e uma eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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