Especialista alerta para a dor do crescimento

Dor é um alerta de que algo no organismo está errado. Porém, nem toda sensação dolorosa possui um curso de evolução maligno. É o caso da chamada dor do crescimento, uma condição musculoesquelética que acomete crianças, sobretudo dos 3 aos 6 anos de idade. Não é bem uma doença, tampouco trará sequelas ao paciente. Com causas desconhecidas, o único risco dessa condição é mascarar outros problemas de saúde mais graves.

De acordo com o ortopedista pediátrico do Hospital das Clínicas (HC) Luiz Felipe Falcão, não há uma relação direta entre crescer e sentir a dor do crescimento, apesar da nomenclatura. Trata-se de uma síndrome dolorosa não inflamatória que pode estar ligada tanto a fatores anatômicos, quanto psicológicos. Segundo Felipe, a hiperfrouxidão ligamentar, alteração genética que deixa o indivíduo mais flexível; e a condição do pé chato, deformidade oriunda do achatamento de um ou mais arcos do pé; podem contribuir para a causa. “Algumas pessoas têm um limiar para dor mais baixo. Ou seja, são mais sensíveis. Os distúrbios emocionais, como conflitos na família, também podem influenciar bastante”, explicou.

Como quadro clínico, o que chama atenção são as dores nos membros inferiores, principalmente nas coxas e nas panturrilhas. Sem tempo de duração determinado, o desconforto acontece mais comumente à noite. Em algumas situações mais graves, podendo despertar a criança do seu sono. Segundo o especialista em ortopedia infantil, as crianças não conseguem dizer o local da dor com exatidão, porque ela não se manifesta em um ponto específico. “Algumas pessoas tendem a confundir essa dor com câimbra, mas é muito diferente. Câimbra não dá em toda a extensão da perna, além de ser muito rápida”, acrescentou.

Outro motivo que pode ocasionar o incômodo nas pernas é o excesso da prática de atividades físicas. Porém, o tratamento deve ser adequado à realidade infantil, de acordo com o médico do HC. “Não adianta pedir para uma criança parar de brincar, de correr, de pular. A forma de tratamento mais comum que a gente orienta é uma massagem. Poucos casos são tratados com medicação”, afirmou. Para ele, em algumas situações, alongar a musculatura das coxas e das pernas também é uma medida eficaz. “O acompanhamento com um pediatra facilita muito o nosso trabalho. É preciso ter uma história bem colhida para analisar o problema”.

Ainda que atinja mais as crianças no primeiro pico do crescimento, adolescentes também podem apresentar a síndrome. É o caso de Letícia Assef, de 12 anos, que sentiu a dor pela primeira vez aos três anos e, até hoje, sofre com esse problema. “Minha dor é embaixo do joelho. É muito ruim e, às vezes, dura horas”, contou ao ressaltar que coloca um travesseiro embaixo das pernas para aliviar o desconforto. Segundo a mãe de Letícia, muitas vezes ela fazia massagens na filha com um creme próprio e, em momentos de crise, dava analgésicos. “Hoje em dia ela sente menos do que quando era menor. Mas colocar as pernas para cima sempre melhora a condição”.

O diagnóstico para dor do crescimento não apresenta perturbações nos exames clínicos laboratoriais de triagem. Os resultados são normais. Se houver um curso de evolução desfavorável, por exemplo, se a criança está tendo febre, perdendo peso, ficando fraca ou piorando no estado geral, significa que o problema é outro. De acordo com o médico, o início do quadro de um tumor ósseo pode mimetizar um quadro de dor do crescimento. “Se faz necessário excluir qualquer condição grave ou ameaçadora, como infecções ou artrite reumatoide, que inicialmente poderiam se manifestar da mesma maneira”.

Fonte: FolhaPe

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Social media manager, digital influencer, blogueira, youtuber e redatora, ativista em saúde motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide há 7 anos, patient advocacy, mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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4 Comentários

  1. É o que vcs. Me digam de uma criança vítima de negligência médica no nascimento onde a demora no atendimento progrediu em uma lesão grande na articulação do fêmur.Hoje meu filho com 13 anos. Fez a cirurgia do grande trocanter para amenizar a lesão. É é uma criança ativa cheia de restrições física e tem. A desigualdade dos membros inferiores. Ninguém da a menor importância,ninguem da a menor importância sabem porque não é filho de ninguém é o meu filho se fosse filho de uma pessoa com padrão alto quem fez teria que pagar pelo erro,mas como é o meu ninguém tá nem aí

    • Adriana, o direito ao processo contra erros médicos é um direito de todos nós, e isso pode ser feito com ajuda da justiça gratuita, super recomendo que busque um fórum federal especial para dar entrada nesse processo. Forças!

  2. Obrigada já fiz isso e perdi na 1instancia e recorro agora tenho que esperar na vontade de deus é da justiça se é que ela exista. Queria te perguntar se artrite séptica evolui para osteomielite vc pode me responder

    • Adriana, sinto muito pelo processo 🙁
      A artrite séptica por ser causada por uma infecção, dependendo da circunstância pode ou não gerar osteomielite, infelizmente para responder essa pergunta com segurança, sugiro que faça ao médico que está acompanhando. Osteomielite é bem diferente de artrite.

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