Esclerodermia e Sexualidade

Você ou seu companheiro tiveram um diagnóstico de esclerodermia e vocês podem estar imaginando como isto afetará a sua vida sexual. Talvez você esteja pensando se você e seu parceiro continuarão a encontrar satisfação e prazer através da sexualidade. Se você é solteiro, você pode se indagar como a esclerodermia afetará a sua capacidade de conhecer pessoas e namorar. Sua vida sexual pode não mudar de forma alguma. Por outro lado você pode experimentar algumas mudanças sexuais, entretanto você poderá se adaptar, tendo assegurada uma vida sexual plena. O objetivo deste texto é fornecer informações e sugestões que auxiliarão você a continuar e ter uma vida sexual ativa e plena.

Amplitude dos movimentos limitada

Algumas pessoas com esclerodermia podem ter dor ou rigidez que podem limitar sua habilidade de iniciar o ato sexual com seu parceiro, ou se masturbar. Se isto é um problema para você, você e seu parceiro podem experimentar posições sexuais até encontrar aquelas que são mais confortáveis. A dor pode ser também aliviada com o uso de medicações analgésicas (verifique com o seu médico se é seguro para você usar analgésicos). Você pode programar a atividade sexual para um horário em que você tenha pouca dor. Um banho quente ou uma ducha quente antes da atividade sexual frequentemente facilita ou diminuiu a rigidez artrítica. Uma série de exercícios físicos antes do sexo pode ajudar, mas sugerimos que você pare os exercícios antes de atingir o ponto de dor ou de fadiga. Travesseiros extras colocados em baixo das articulações doloridas podem ajudar. Se a esclerodermia causou a diminuição da abertura oral, beijos ou sexo oral podem tornar-se difíceis.

Um fisiatra, um terapeuta ocupacional ou um dentista podem ensinar a você exercícios para manter os movimentos da boca, o que pode ajudar você a beijar e fazer sexo oral de forma confortável e prazerosa. Os dedos de uma pessoa com esclerodermia podem ficar rígidos e fletidos, tocar um parceiro ou a masturbação pode ser difícil. Contudo estas dificuldades podem ser aliviadas com criatividade. Os polegares, pulsos, ou dorsos das mãos podem ser usados para tocar-se ou tocar o parceiro. O uso de materiais auxiliares como vibradores, cremes e loções frequentemente aumentam o prazer sexual. Estes podem ser adquiridos em lojas especializadas ou pelo correio. Você pode fazer destes ajustes uma parte prazerosa do ato de fazer amor. Por exemplo, um banho quente antes da atividade sexual pode ajudar você e seu parceiro a obter prazer num banho em conjunto. Esta experiência poderá ser agradável para ambos.

Fadiga

Pessoas com esclerodermia frequentemente sentem-se cansadas. A esclerodermia causa fadiga e pode ser também exaustivo conviver com uma doença crônica. Pode ser difícil sentir-se sexualmente estimulado quando extremamente cansado. Pode ser muito útil programar a atividade sexual para um horário em que ambos tenham energia – ou pela manhã, ou pela tardinha, ou no anoitecer dependendo do seu ritmo.

Fenômeno de Raynaud

A maioria das pessoas com esclerodermia também tem o Fenômeno de Raynaud, que causa sensibilidade ao frio especialmente nos dedos das mãos e dos pés. Se você ou seu parceiro tem Raynaud há muitos modos de assegurar conforto durante a atividade sexual. Ligue o termostato, deixe algumas toalhas ou alguns lençóis extras. É importante manter o corpo inteiro quente porque um episódio do Fenômeno de Raynaud pode ocorrer se alguma parte do corpo estiver fria.

Problemas renais

Em casos raros a esclerodermia causa acometimento renal ou doença renal que pode afetar o desejo sexual e o orgasmo. Algumas dificuldades sexuais são causadas por medicamentos usados para tratar problemas renais, mais do que os próprios problemas causados pela doença. Os homens podem ser incapazes de ter ereções e as mulheres podem parar de menstruar. Pessoas de ambos os sexos podem ter baixa libido. Em tais casos, você e seu parceiro podem explorar opções sexuais que não incluem a penetração. Vocês podem desejar estimular os seus corpos mutuamente com as mãos ou boca. Você pode tentar usar vibradores ou outros brinquedos sexuais. Se você não está interessado em sexo você pode se sentir fisicamente mais próximo do outro, através de abraços ou carícias. Se você acredita que os remédios podem prejudicar seu desejo sexual fale para o seu médico sobre a possibilidade de trocar a medicação. Se for possível substitua por remédios com poucos efeitos colaterais. Não faça mudanças sem a aprovação do seu médico.

Secura vaginal

As mulheres com esclerodermia podem experimentar secura vaginal, que pode causar uma penetração vaginal dolorosa. Este problema pode ser contornado pelo uso de lubrificantes que você comprar em farmácias ou lojas especializadas em artigos sexuais. A secura vaginal pode resultar de medicamentos utilizados no tratamento da esclerodermia. Se você suspeita que seja este seu caso fale com seu médico sobre medicamentos alternativos. Se a penetração é dolorosa você e seu parceiro podem explorar alternativas a penetração. Devido ao fato de o clitóris e não a vagina ser a fonte principal do prazer sexual em várias mulheres, elas muitas vezes sentem mais prazer com a estimulação do clitóris com a mão ou a boca, mais agradável do que a penetração. Você e seu parceiro podem achar o sexo oral, ou toque com as mãos ou com brinquedos uma alternativa agradável.

Disfunção Erétil

Alguns homens com esclerodermia apresentam alterações penianas. Um homem com esclerodermia pode ter disfunção erétil ou doença de Peyronie. Na doença de Peyronie o pênis pode ficar inflamado e desconfortável. Em casos raros a interrupção da circulação do tecido peniano pode causar o encurvamento do pênis, pois o sangue não circula. Existem alguns tratamentos para ambos, a disfunção erétil e a doença de Peyronie, sobre o qual você e seu urologista podem discutir. Estes tratamentos incluem medicamentos orais, implantes penianos e injeções. Você e seu parceiro podem também experimentar prazer com massagem, sexo oral e carícias que podem substituir a penetração.

Contracepção

Se você está preocupado com a contracepção ou a proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis, você e seu parceiro deverão considerar qual forma de contracepção é melhor para vocês. Vocês devem considerar qual método contraceptivo é o melhor a seguir. Vocês deverão discutir com o médico para tomar uma decisão informada levando em consideração os efeitos da sua eclerodermia.

Gravidez

Na maioria dos casos, a esclerodermia não afetará sua capacidade de gerar uma criança. Entretanto, é recomendado que você espere a estabilização da sua esclerodermia. A gravidez deve ser evitada se há uma chance de você ter uma insuficiência renal. Muitas mulheres com esclerodermia podem ter nascimento de prematuros. Se você decidir ficar grávida, nós sugerimos que você tenha um bom relacionamento com um obstetra experiente em esclerodermia e que possa lhe orientar como sua esclerodermia pode afetar sua gravidez e como sua gravidez pode afetar sua esclerodermia. Seu obstetra deve monitorar você de perto durante a gravidez.

Menopausa

As mulheres com esclerodermia algumas vezes tem menopausa precoce. Se você deseja engravidar, discuta esta possibilidade com seu ginecologista. A maioria das mulheres não pode engravidar depois da menopausa. A menopausa também pode causar secura vaginal, que pode ser aliviada com o uso de lubrificantes a base de água. Por favor, observe que muitas causas de secura vaginal podem não estar relacionadas à menopausa. Se mais ajuda é necessária lembre-se que o seu médico pode lhe dar suporte. Você pode se sentir envergonhado discutindo problemas relacionados à sexualidade com o seu médico, mas nós encorajamos você a procurar um médico com quem você se sinta confortável. Se o seu médico não discutir assuntos sexuais, você mesmo terá que trazer este assunto à tona. Isto pode ser mais fácil se você ensaiar o que você falará antes de procurar o seu médico. Levar alista das perguntas a consulta médica poderá auxiliá-lo a organizar a discussão.

Conselhos

Em alguns casos, pessoas com esclerodermia podem se beneficiar de conselhos individuais, terapia de casal, ou terapia sexual. Seu médico ou a associação de pacientes com esclerodermia podem lhe ajudar a encontrar um terapeuta competente. A esclerodermia pode não afetar a sua vida sexual. Se existem mudanças, se adaptarem-se a elas pode ser uma oportunidade agradável de experimentar e explorar novas oportunidades. Você pode ainda experimentar prazer e estar próximo ao seu parceiro.

Fonte: Reumato USP

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Social media manager, digital influencer, blogueira, youtuber e redatora, ativista em saúde motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide há 7 anos, patient advocacy, mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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