Dores nas costas podem ser um indício de osteoporose

Praticamente assintomática, a osteoporose pode apresentar sinais mais evidentes entre os idosos no momento em que provoca as chamadas micro-fraturas nas vértebras da coluna. Nesse momento, a doença é responsável por dores intensas que, além de causar um grande desconforto, podem limitar boa parte das atividades cotidianas de uma pessoa na terceira idade.

“Diferentemente das fraturas osteoporóticas provocadas por grandes traumas, como quedas ou choques, micro-fraturas também causadas pela osteoporose acontecem com a realização de movimentos simples, como quando o indivíduo dobra o tronco para frente ou precisa carregar peso. Porém, como a doença ainda é subdiagnosticada no país, muitos idosos não se dão conta de que ela pode ser o verdadeiro motivo por trás das dores nas costas que sentem. E isso é perigoso, já que, sem tratamento, esse tipo de problema tende a causar complicações como redução de mobilidade e deformidades na postura corporal, como corcundas, por exemplo”, diz a Dra. Pérola Plapler, fisiatra do HCor.

Com o objetivo de conscientizar a população no Dia Mundial da Osteoporose, na próxima quinta-feira, 20 de outubro, a Dra Pérola explica que existem dois tipos de dores nas costas provocadas pela doença: as agudas e as crônicas. “A maneira de lidar com cada uma delas é diferente. Porém, ambas podem ter a mesma origem. Sendo assim, é fundamental tratar não apenas as dores de maneira pontual, mas também combater a ação da osteoporose no organismo por meio de medidas como a prática regular de exercícios e mudanças no estilo de vida por meio da adoção de hábitos mais saudáveis”, recomenda. “Também não se deve abrir mão do uso da medicação específica para tratamento de osteoporose, como o cálcio e a vitamina D e as drogas antirreabsortivas ou as formadoras de osso, após um médico realizar uma avaliação cuidadosa de cada caso”, afirma a médica.

Dor aguda

Comumente provocada por fraturas vertebrais, a dor aguda nas costas surge de forma súbita, é muito intensa e incapacitante. Em média, o seu tempo de duração é de duas a três semanas. “Para tratar este tipo de dor é necessário fazer uso de analgésicos (medicamentos para as dores) e passar alguns dias em repouso, evitando esforços no trabalho ou durante os afazeres domésticos”, explica a Dra Pérola. “Em alguns casos, recomenda-se inclusive o uso de coletes, por um certo período”, revela.

Dor crônica

Já a dor crônica pode surgir a partir do esforço que é imposto aos músculos e ligamentos da coluna pelas alterações da postura causadas pelas fraturas e micro-fraturas. Ou seja, por causa da osteoporose, muitos idosos perdem altura, desenvolvem uma postura corporal encurvada e até corcundas. Estas alterações fazem com que eles tenham mais dificuldade em manter a coluna vertebral ereta. Por isso, esforçam ainda mais os músculos e ligamentos das costas, o que, então, dá origem às dores crônicas. “Todo esse processo ocorre justamente em função do acúmulo de pequenas fraturas nas vértebras da coluna que, muitas vezes, passam desapercebidas e, lamentavelmente, não contam com tratamento algum. Por isso, é importante que os idosos procurem auxílio médico o quanto antes, ao perceberem algum desses sintomas”, alerta.

Diferentemente da dor aguda, a crônica pode durar meses. Embora não seja sempre tão intensa, ela causa grande incomodo, reduz mobilidade e, consequentemente, dificulta as tarefas diárias dos idosos. “Além de tomar os analgésicos receitados pelo médico, pessoas que enfrentam esse tipo de problema podem amenizar as dores por meio de medidas relativamente simples. Entre elas estão a aplicação de compressas de calor nas regiões doloridas, evitar ficar na mesma posição por muito tempo e utilizar bons suportes lombares, como almofadas atrás das costas, no momento de se sentar, por exemplo”, diz a médica, lembrando que a fisioterapia com meios físicos, como calor e estimulação elétrica também são indicadas.

Prática de exercícios

Outra medida importante para o combate das dores crônicas nas costas é a pratica de exercícios. Além de evitar a perda de massa óssea causada pela osteoporose, essa iniciativa ajuda a fortalecer e alongar os músculos das costas, reduzindo o problema. “Muitos dos exercícios que têm essa função podem ser praticados em casa, depois de serem aprendidos com um fisioterapeuta”, acrescenta a Dra Pérola.

Outra dica importante é que os idosos procurem executar os seus afazeres diários da maneira correta. Ou seja, sabendo que, caso tenham que carregar peso, é preciso distribuí-lo pelo restante do corpo, sem concentrá-lo na coluna. “Para isso, é importante flexionar os joelhos para pegar os objetos do chão e não dobrar a coluna”. Porém, quando algo for pesado demais ou a coluna já estiver apresentando algum grau mais intenso de fragilidade, a melhor opção é sempre pedir ajuda e evitar carregar peso. Isso pode prevenir acidentes e novas fraturas nas vértebras”, explica.

Osteoporose no Brasil

No Brasil, a osteoporose já atinge cerca de 10 milhões de pessoas. Idosos, principalmente mulheres na pós-menopausa, são as pessoas que mais sofrem com a doença, cujo efeito provoca um enfraquecimento progressivo dos ossos, sendo responsável pela ocorrência de múltiplas fraturas. Tanto que, de acordo com dados da International Osteoporosis Foundation (IOF), a doença é responsável por mais de 9 milhões de fraturas por ano no mundo, sendo uma a cada três segundos. “O principal objetivo da prevenção e do tratamento da osteoporose é justamente evitar esse tipo de problema. Afinal, quando uma pessoa em idade avançada quebra algum dos ossos a sua recuperação costuma ser bastante difícil e dolorosa. Isso sem contar que, em casos de fratura no quadril, há o risco de o idoso ficar incapacitado e muitas vezes restrito à uma cadeira de rodas”, acrescenta a fisiatra do HCor.

Prevenção

A Dra Pérola também destaca que os fatores de risco para osteoporose e fraturas subsequentes à doença, tanto em homens, como em mulheres, são basicamente idade avançada, ocorrência prévia de fratura no indivíduo, tabagismo, alcoolismo, uso de corticoides, artrite reumatoide e vida sedentária. Por isso, a médica aponta algumas dicas de prevenção que também contribuem com um estilo de vida mais saudável:

Consuma laticínios, frutas, legumes, folhas verdes e grãos. Eles são ricos em cálcio;
Procure praticar atividades físicas durante 30 minutos diários no mínimo. A prática de esportes fortalece os ossos;
Fumantes chegam a perder cerca de 1% de massa óssea por ano. Por isso, evite cigarros;
Homens costumam carregar mais peso que as mulheres. Por isso, eles precisam evitar exageros e tomar cuidado com quedas, já que todos esses fatores também comprometem a saúde dos ossos;
Acima dos 50 anos, as mulheres têm mais chances de desenvolver osteoporose em função da queda da produção de estrogênio causada pela menopausa. Por isso, quando se chega nessa idade, o ideal seria realizar uma densitometria óssea e calcular a resistência dos ossos;
Procure tomar sol diariamente por pelo menos 20 minutos. Ao contrário do que se acredita, a melhor parte do dia para sintetizar vitamina D é entre 11 e 12 horas, quando o sol está bastante forte. Contudo, evite excessos, já que a intensidade dos raios solares neste horário pode representar riscos à saúde. Na impossibilidade de tomar sol, suplementos de vitamina D podem e devem ser usados, após avaliação e prescrição de um médico;
Se alguém da família tiver osteoporose, vale a pena ficar atento. Traços hereditários podem favorecer o aparecimento da doença.
Beba água ou suco natural de frutas. Refrigerantes e bebidas alcoólicas causam perda de massa óssea pela presença do fosfatos;
Manter hábitos saudáveis, desde a infância, também ajuda na prevenção da osteoporose. Isso porque a aquisição de massa óssea aumenta na infância, acelera na adolescência e se estabiliza na faixa dos 30 aos 50 anos de idade.

Fonte: Mundo Positivo

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Social media manager, digital influencer, blogueira, youtuber e redatora, ativista em saúde motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide há 7 anos, patient advocacy, mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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