Companheira nada agradável que vem e vai

Sempre fui uma criança normal, no começo da adolescência, jogava handball e vôlei, tinha pique pra tudo. Até que um dia, aos 14 anos, notei um inchaço no penúltimo dedo da mão direita. Minha mãe pensava que fosse batida ou picada de abelha e dá-lhe pomadas para dor. Num certo dia, não conseguia esticar o dedo, passei numa medica que de imediato pediu exames. Quando o diagnóstico chegou, prontamente me encaminhou para um reumato da cidade mais próxima. Aí começou minha batalha, que hoje percebo, totalmente à toa! Era medicada mensalmente com os mesmos remédios, sem alteração de dosagem, servia de “cobaia” para estudantes (o que me deixava frustrada nas consultas), sem falar nas trocas de médicos direto e no desgaste de ter que sair de madrugada de casa e retornar a noite cada vez que passava no medico.

Aos 18 anos tinha dois dedos operados com enxerto de tendão, que não mexiam mais. Quando completei 10 anos de tratamento eu já estava perdendo os movimentos dos braços, joelho e tornozelo, mesmo com toda medicação, decidi abandonar tudo! Dizia ao meu marido (na época namorado) que não ia me casar, pois estaria na cadeira de rodas. Mas ai Deus colocou a que chamo de fada madrinha, uma reumato que apareceu na minha cidade, e em poucos dias me colocou em pé novamente! Tive maravilhosas fases de remissão, me casei, consegui um emprego, mas tive que sair. Tive uma remissão longa, engravidei e tive um lindo bebê recentemente. Passei 9 maravilhosos meses sem nenhuma medicação, mas sempre acompanhada pela minha reumato. Depois do parto, essa “companheira” resolveu apontar, mas sem inchaços, e no momento fui aconselhada a ficar só na prednisona para não ter que deixar de amamentar. E o que posso dizer? Que essa “companheira nada agradável” vem e vai, e que devemos sim fazer planos e lutar para realiza-los, Nada é impossível! 15 anos de ARJ, com dois dedos atrofiados, punhos com perda parcial de movimentos, um tornozelo prejudicado, mas totalmente abençoada com meu pequeno Miguel! Esse foi um resumo da minha vida com AR.

Me chamo Fernanda Escanes, tenho 29 anos, convivo com a ARJ há 15 anos, sou atendente de loja, mãe do Miguel, moro em Itapetininga – SP.

Dor Compartilhada é Dor Diminuída“, conte a sua história e entenda que ao escrever praticamos uma autoterapia e sua história pode ajudar alguém a viver melhor com a doença!

“Conte a sua História”

www.artritereumatoide.blog.br/conte-a-sua-historia/
Doe a sua história!

Jornalista
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
×
Jornalista Grupar EncontrAR
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
Anúncios

Comentário

comentários

Olá, deixe um comentário!