Artrite reativa relacionada ao C. difficile é mal diagnosticada em crianças

Apenas 35% dos casos de artrite reativa associada a infecção por Clostridium difficile(ICD) na infância são corretamente diagnosticados, segundo um estudo de coorte multicêntrica e de caso-controle aninhado. Além disso, essa condição inflamatória foi algumas vezes erroneamente diagnosticada e tratada como artrite séptica, especialmente quando relacionada a dor no quadril isolada grave.

“Para as crianças que estudamos com infecções conhecidas por C. difficile e casos de artrite, ficamos surpresos que muitos médicos que as tratavam não consideravam as duas condições juntas”, disse o autor principal Dr. Daniel B. Horton, reumatologista pediátrico e epidemiologista clínico no Child Health Institute of New Jersey em New Brunswick, ao Medscape.

Comparado a outros patógenos entéricos, o  C. difficile não é reconhecido como um desencadeante comum para artrite reativa associada e ICD (conhecida como CDIAReA e pronunciada “cidiarréia”).

Publicado online em 16 de maio no periódico JAMA Pediatrics, o estudo avaliou os registros de três hospitais infantis, um na Pensilvânia, um em Delaware, e um na Flórida, de janeiro de 2004 a dezembro de 2013. Os pesquisadores rastrearam 148 jovens entre dois a 21 anos de idade com ICD para a presença de atrite reativa, e identificaram 26 casos de artrite aguda ou tenossinovite no intervalo de tempo de 4 semanas antes a 12 semanas após a confirmação da ICD. Os pesquisadores selecionaram aleatoriamente pacientes controle com ICD que não desenvolveram artrite.

Extrapolando a partir dos 26 casos, os autores estimaram a incidência de artrite reativa associada a ICD em 5,0 casos por um milhão de crianças por ano (intervalo de confiança [IC] de 95%, 3,2-7,8 casos), com 19 crianças afetadas entre 3,8 milhões de pessoas-ano de seguimento.

Essa patologia inflamatória afetou 1,4 por 100 casos de ICD pediátrica (IC 95%, 0,8-2,3 casos) anualmente, e a incidência anual aumentou durante o período de estudo em 0,8 casos adicionais (IC 95%, 0,3-1,3 casos) por milhão de pessoas-anos.

Os pacientes apresentaram sintomas de artrite nas articulações em uma mediana de 10,5 dias após os sintomas gastrointestinais iniciais e geralmente tinham febre recorrente (58%) ou erupção cutânea (54%).

Apenas nove casos foram corretamente diagnosticados, com uma taxa de detecção geral de 35% variando entre os três locais de 0% a 5% e 64%. Além disso, cinco crianças afetadas (19%) receberam tratamento para artrite séptica do quadril com cultura negativa, apesar das indicações clínicas do contrário, como diarreia prévia pós-antibiótico, e/ou outras juntas envolvidas.

“Várias crianças foram tratadas como se tivessem infecções articulares graves, levando a procedimentos cirúrgicos retrospectivamente desnecessários e tratamentos prolongados com antibióticos, alterando ainda mais um trato gastrointestinal já estressado”, disse o Dr. Horton aoMedscape.

Dicas diagnósticas importantes para artrite associada a ICD em crianças com dor articular grave e febre incluem uma história de artralgia transitória, migratória ou múltipla e diarreia pós-antibiótico, observam os autores.

“Se a criança desenvolve uma artrite aguda dolorosa no contexto de diarreia pós-antibiótico, cheque as fezes para C. difficile além de uma cultura de fezes de rotina”, aconselhou o Dr. Horton. “Na maioria dos casos, o tratamento da infecção por C. difficile leva a uma melhora rápida e resolução da artrite, e os anti-inflamatórios podem ser um adjuvante útil.”

Um diagnóstico alternativo errôneo variou de artrite reativa de causa desconhecida ou sinovite transitória e/ou tóxica (n = 10; 38%) e artrite séptica (n = 5; 19%) a doença do soro (n = 3; 12%), febre reumática aguda (n = 1; 4%), e bursite e/ou celulite (n = 1; 4%).

Comparado com aqueles no grupo controle, pacientes com artrite reativa tinham menos chance de apresentar condições crônicas (odds ratio, 0,3; IC 95%, 0,1-0,8; P = 0,01). E embora todos os casos reativos estivessem relacionados a ICD adquirida na comunidade, ainda assim 92% (n = 24) foram tratados no departamento de emergência ou hospitalizados (odds ratio, 7,1; IC 95%, 1,6 – 31,7), sendo 65% admitidos especificamente pela artrite.

Nas últimas 2 décadas houve um aumento de 12,5 vezes na incidência geral e de 80% nas hospitalizações relacionadas a ICD.

A artrite reativa associada a ICD, embora não seja comum, leva a altas taxas de utilização do sistema de saúde em comparação com jovens saudáveis. “Considerando a frequência com que essa condição é negligenciada e o quão séria a artrite pode ser em algumas crianças, nós esperamos que essa publicação eleve o alerta e reconhecimento pelos médicos”, disse o Dr. Horton. “Nós esperamos que um melhor reconhecimento possa limitar o erro de diagnóstico e as intervenções desnecessárias”.

Esse estudo recebeu financiamento do National Institute of General Medical Sciences e do National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases, que não tiveram participação em nenhum aspecto do estudo. Os autores não declararam relações financeiras relevantes.

Fonte: Medscape

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Social media manager, digital influencer, blogueira, youtuber e redatora, ativista em saúde motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide há 7 anos, patient advocacy, mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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