Afinal, como é que um produto fica sem lactose?

“Os produtos sem lactose não são necessariamente a opção mais saudável”

A lactose é um hidrato de carbono (açúcar) naturalmente presente no leite. Quimicamente, é a combinação de dois açúcares simples – glicose e galactose”, diz à NiT Marta Mourão, nutricionista do Holmes Place.

A intolerância à lactose afeta cerca de um terço da população portuguesa e, embora seja um tema comum, tem levado à existência de várias dúvidas.

Segundo a especialista, para este açúcar ser ser absorvido no intestino, primeiro precisa de ser digerido e separado por dois componentes — a galactose e a sacarose. Quem vai fazer essa separação é uma enzima chamada lactase.

Quando, por alterações genéticas ou doenças secundárias, há uma alteração da lactase, esta deixa de conseguir atuar e não há digestão da lactose. E isso é muito mau? Bem, “como consequência, este açúcar vai acumular-se no intestino, provocando dilatação e dor abdominal, bem como flatulência e diarreia.

Uma pessoa saudável, com deficiência em lactase pode tolerar até 20 gramas de lactose sem qualquer sintoma. Para saber se tem este problema, pode fazer análises ou uma biópsia intestinal.

Porém, ser intolerante à lactose não é sinônimo de ter de cortar completamente com os lacticínios. Na verdade, há várias opções sem lactose.

Como é feito um produto sem lactose?

“A nível industrial, os produtos sem lactose são manipulados com adição de lactase, no sentido de desdobrar a lactose pelos açúcares simples”, explica à NiT a nutricionista.

Por esse motivo, os produtos sem lactose têm um sabor mais adocicado e, consequentemente, um teor de hidratos de carbono simples mais elevados. No entanto, o teor de proteína e cálcio não é alterado. Hoje em dia, encontra à venda nos supermercados leite, iogurte e queijo sem lactose.

Quem é que deve comer estes alimentos?

De acordo com Marta Mourão, os produtos sem lactose são mais adequados para intolerantes à lactose. As pessoas que sofrem de síndrome do cólon irritável ou da doença de Crohn também devem fazer esta opção.

Os produtos sem lactose têm mais vantagens ou desvantagens?

O principal benefício está relacionado com o facto de as pessoas com intolerância poderem manter o consumo de produtos lácteos. Mais: continuam a ingerir nutrientes importantes para o organismo provenientes destes produtos — proteína, cálcio, vitaminas do complexo B e fósforo —, sem o desconforto provocado pela acumulação de lactose.

“A principal desvantagem prende-se com o teor de açúcar simples.” E em alguns derivados do leite, como o queijo, também não existem versões com baixo teor de gordura saturada.

No fundo, “os produtos sem lactose não são necessariamente a opção mais saudável”, diz à NiT.

Ou seja, optar por estes produtos vai depender do grau de intolerância e de outras condições clínicas, como o excesso de peso. Por isso, devemos ter muita atenção ao tipo e quantidade de produtos láteos que incluímos na alimentação, já que o que pensamos ser melhor para nós pode não ser assim tão bom. Para ter a certeza, o melhor é consultar uma nutricionista.

Há outras alternativas?

“As bebidas vegetais podem ser uma formação de substituição do leite quando se necessita de algo líquido para misturar com o café ou nas papas de aveia, por exemplo”, explica Marta Mourão.

No entanto,a composição nutricional destas bebidas não é comparável à de um produto lácteo, uma vez que não tem proteína nem cálcio. “São desprovidas destes nutrientes e, algumas versões, podem ser ricas em açúcar.”

Segundo a nutricionista, a bebida de soja, entre as bebidas vegetais, poderá ser a única bebida vegetal alternativa ao leite com lactose. Porém, deve optar-se pelas versões sem adição de açúcar e moderar o consumo.

“Devemos ter sempre em consideração que os produtos de soja não são aptos para toda a gente, pois as isoflavonas de soja, em consumo excessivo, podem provocar efeitos secundários prejudiciais à saúde.”

Fonte: https://nit.pt/fit/alimentacao-saudavel/afinal-um-produto-sem-lactose

Jornalista

Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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Jornalista Grupar EncontrAR

Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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