Acesso ao trabalho também é qualidade de vida!

Quando qualidade de vida vai muito além de medicamentos e terapias, ressalta a importância do entendimento médico sobre o seu papel na mudança social da realidade de seu paciente. 

Qualidade de vida na artrite é conseguir ser normal dentro de suas anormalidades, para isso é preciso reorganizar, adaptar toda uma vida e se faz necessário o apoio e compreensão médica ítens fundamentais para recuperar a qualidade de vida.

Escuto diariamente muitas pessoas e os dois assuntos mais citado todos os dias são auxílio doença x aposentadoria por invalidez e “acesso ao trabalho pela lei de cotas”, é justamente nesse ponto que a conversa vai longe, pois infelizmente ainda muitos médicos desconhecem os padrões jurídicos que garantem a pessoa com doença reumática ocupar a lei de cotas.

Devemos lembrar que a Lei de Cotas para pessoas com Deficiência está definida na LEI Nº 8.213, DE 24 DE JULHO DE 1991, é um lei quadrada, onde praticamente a pessoa deve ser surda dos 2 ouvidos, cega dos 2 olhos e ter o corpo paralisado completamente.

Os dias passaram e cada vez mais o judiciário tem considerado que, uma vez que a pessoa tem sua mobilidade comprometida, ela passa automaticamente à ser considerada uma pessoa “deficiente”, pois os seus padrões de normalidade foram atingidos, e quando você não é mais normal, você tem que encontrar um lugar no mundo para se enquadrar; a lei de cotas para deficientes é um desses lugares. No entanto, os pacientes brasileiros tem longos debates com seus médicos reumatologistas que não compreendem as leis e suas brechas, a lei andou mudando e isso tem permitido o acesso ao trabalho à muitos pacientes reumáticos e os médicos reumatologistas, podem mudar a realidade do desemprego na artrite reumatoide e outras doenças reumáticas.

DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO DE 2004, reconhece a mobilidade reduzida como uma “deficiência”, no 1º artigo dessa lei define que:  pessoa com mobilidade reduzida, aquela que, não se enquadrando no conceito de pessoa portadora de deficiência, tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentar-se, permanente ou temporariamente, gerando redução efetiva da mobilidade, flexibilidade, coordenação motora e percepção. Logo doutores, um paciente que não tem a mesma capacidade de andar, mexer os punhos, dobras os joelhos e etc, preenchem o critério estabelecido em lei da “mobilidade reduzida”.

Um estudo do laboratório Abbvie, feito em quatro países latino-americanos (Argentina, Brasil, Colômbia e México), apontou que o Brasil, apresenta o maior indice de desemprego entre pessoas com artrite reumatoide: seis em cada dez pacientes estavam desempregados, levando a conclusão de que a artrite reumatoide interfere na produtividade dos pacientes e é uma das maiores causas de afastamento e desemprego no país. 

Conduzidos a lei de cotas para pessoa com deficiência certamente a realidade destes pacientes poderiam ser diferentes, pois a dificuldade para realizar o trabalho sem condições especiais é um fato para muitos pacientes. A lei de cotas permite carga horária diferenciada e acesso ao trabalho com adequação ergonômicas e biológicas, compatíveis com o estado clinico e mobilidade da pessoa. 

Uma reflexão, pois situações como o print abaixo, poderiam não mais fazer parte da rotina das consultas, pois sabemos que isso gera um estresse entre pacientes e médicos, pacientes como esses só querem o direito de retornar ao mercado de trabalho, direito este que os médicos podem auxiliar na sua conquista.
Laudo para lei de cotas

Acesso ao trabalho faz parte da qualidade de vida e precisa ser discutida nas consultas médicas.

Lei de Cotas: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8213cons.htm

Lei que Define Mobilidade Reduzida:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm

 

 

Jornalista
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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Jornalista Grupar EncontrAR
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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