A mente quer, mas o corpo recusa: minha luta com artrite reumatoide

Em 2014 Resolvi dar um giro de 360º na minha vida, pesava 136 kilos e iniciei mais uma dieta, porém desta vez com mais maturidade consegui emagrecer 53 kilos com força de vontade e foco, nem eu acredito mas comecei a gostar de fazer academia e quando estava me viciando, percebi bolinhas em volta dos tornozelos, fui ao medico e era apenas um “mal jeito”.

Continuei minha rotina, me mudei para Balneário Camboriu em Fevereiro de 2015 e as coisas começaram a piorar, tinha dias que eu não conseguia fechar o meu sutiã, mas não me permitia parar de trabalhar. Em março de 2015 fui ao ortopedista, que após alguns exames suspeitou de tenossinovite, mas orientou que eu procurasse um reumatologista, porém ele me deu prednisona e foi um milagre não senti mais dor e minha vida “voltou ao normal”.

Mas logo começaram as dores novamente, rigidez matinal entre outros, tomei diversos remédios até ter condições financeiras de consultar particular, pois pelo SUS a espera era de 400 pessoas ou seja quase infinita, aí começou a ansiedade, exames caros, correria e trabalhando com dor.

Sempre fui muito festeira, sempre estive rodeada de amigos e começei a me ver trancada com medo e dores. Em outubro de 2015 chegou então a noticia “tenho artrite reumatoide”, o susto foi grande, e para ajudar não tinha o remédio na farmácia e veio o desespero, como vou pagar?  Gracas a Deus tive ajuda da minha família e amigos, iniciei as medicações, achei formas de continuar trabalhando.

Troquei a caminhada por bicicleta, pois andar além de doer muito dificulta minha agilidade, a bike me trouxe esperança de me locomover como antes, trabalho em um quiosque e fico 8 hs de pé em uma escala de 6×1, só Deus sabe a dificuldade em sorrir para os clientes com as costas doendo demais, o humor altera de hora em hora, não posso beber mais, sair com os amigos, raramente saio pois logo me canso.

Tenho uma irmã cadeirante e ela me da forças para lutar ate mesmo porque ela precisa de mim também. Estou tomando metratrexate, prednisona e leflunomida, tenho diversas reações mas a que mais me incomoda é a alteração do humor e as dores, sempre fui muito alegre e paciente, porem está difícil controlar ultimamente.

Em fevereiro de 2016 acordei as 4:50 da manhã com um homem no meu quarto roubando minhas coisas, tentei segura-lo, porém minhas forças não são mais as mesmas, tamanho pânico me prejudicou pois as dores só pioraram, ontem fui na medica de novo e não há outro jeito a não ser me afastar do trabalho e iniciar os remédios biológicos.

Me desesperei, meus planos todos foram por água abaixo, só me falta 20 kg para chegar ao meu peso ideal, tenho diversas peles e não posso fazer exercícios para amenizar, a medica me proibiu até a remissão, sou muito curiosa e estou sempre em busca de soluções, não me deixo abalar.

Hoje é um novo dia e acredito que Deus tem planos para mim, junto à vocês venho dividir minha historia com a esperança de palavras motivadoras de quem já convive com isso a mais tempo, vou iniciar o Etanercepte, se Deus quiser e conseguir pelo governo, já estou apavorada só de saber que irei me afastar do trabalho, e as contas, o aluguel e se não receber o beneficio? São tantas duvidas… E ao mesmo tempo a necessidade de manter a paz e a tranquilidade, pois observo que quanto mais nervosa mais dores sinto, me sinto inútil só de imaginar minha vida daqui pra frente, mas a força está na minha fé e algum jeito vou dar, sei que somos abençoados, afinal por maior as dores ainda podemos levar uma vida normal se fizermos o tratamento certinho, essa é minha esperança.

Vou iniciar sertralina para amenizar o humor e para conseguir aceitar os olhares das pessoas quando digo que não posso ou não consigo, me olham como quem diz “não vejo nada, não tem nada”, mas isso também passa, com fé em Deus…

Li um depoimento em que conclui meus pensamentos, ” a mente quer mas o corpo recusa” e isso é o mais difícil de aceitar, as limitações que encontro no dia a dia e que me prendem, hoje estou reaprendendo a viver e deixando meu sonho de chegar ao meu peso e ao corpo que desejo para depois, mas sei que a vitoria chegará.

Obrigada por existirem e me ajudarem pelos depoimentos a ter esperança! Desculpem os erros mas lagrimas ao olhos não me deixam pensar, apenas escrevo com o coração.

Me chamo Simeia Pereira de Borba, tenho 31 anos, convivo com o diagnostico de artrite reumatoide há 1 ano, moro em Balneário Camboriú – SC, atualmente trabalho como vendedora.

Dor Compartilhada é Dor Diminuída“, conte a sua história e entenda que ao escrever praticamos uma autoterapia e sua história pode ajudar alguém a viver melhor com a doença!

“Conte a sua História”

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Jornalista

Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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Jornalista Grupar EncontrAR

Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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